OS CRIADORES DE COINCIDÊNCIAS (YOAV BLUM)

Em algum momento entre 2013 e 2014, eu comecei a me interessar pelos chamados booktubers — youtubers do mundo dos livros — e conheci os vídeos da Pam Gonçalves. Eu assistia e gostava bastante, mas em algum outro momento simplesmente deixei de me interessar e me desinscrevi do canal.

Já esse ano, procurando no site por resenhas do livro Fangirl, da Rainbow Rowell, fui parar novamente no canal dela e mais tarde em um vídeo em que ela contava sobre Os Criadores de Coincidências, livro do autor israelense Yoav Blum. A história me encantou de cara, porque definitivamente parecia algo que minha mente louca poderia ter inventado.

Ela conta a história de Guy, uma pessoa — ou quase isso — cujo trabalho é criar pequenos ajustes na vida de outras, gerando outras e mais outras situações, que no fim podem ser responsáveis por evitar uma simples queda no chão, fazer despertar uma inspiração para uma grande obra de arte ou até mesmo fazer encontrar o amor de sua vida. Os criadores de coincidência passam por um extenso curso envolvendo física, matemática, psicologia e muitas outras ciências, para que consigam executar seu trabalho de maneira impecável. É nesse curso que Guy conhece Emily e Eric, outros dois personagens importantes dessa história.

Processed with VSCO with av8 preset

A premissa da obra, na minha opinião, é interessantíssima e o que é entregue é tão incrível quanto. A narrativa se divide entre a história de Guy e seus amigos, alguns flashbacks de suas vidas e as subtramas das pessoas cujas coincidências estavam sendo criadas. De toda forma, o autor descreve as situações de forma leve e divertida, mas sempre guardando um pouco de mistério, sem entregar todas as informações de bandeja. A história vai sendo montada como um quebra-cabeças, trazendo sempre ao leitor um gostinho de quero mais.

Como não poderia deixar de ser, o livro é repleto de “coincidências”. Algo que aconteceu no começo da trama volta a aparecer em um ponto avançado da história, enriquecendo a narrativa e surpreendendo aos poucos quem a lê.

Processed with VSCO with av8 preset

Além de todos esses pontos positivos, o que mais me agradou no romance foram as reflexões sobre o tempo, o amor, a vida e a sua linearidade. Entre tramas e subtramas, o autor nos faz refletir sobre cada uma de nossas escolhas, levantando perguntas como: será que os acasos de nossa vida são de fato coincidências? Será que nossas ações, por menores que sejam, não terão um grande impacto no futuro? Será que estamos fazendo o que fazemos porque realmente queremos ou apenas porque achamos que deveríamos fazer?

“Em que momento você traça a linha que separa as ações realizadas por necessidade interna daquelas que não passam de uma versão desse ou daquele ritual que nos ajuda a definir as emoções?” — (Pág. 179)

No fim das contas, Os Criadores de Coincidências vai bem além de um romance. É um olhar atento para o mundo que nos cerca e para as casualidades que nos acontecem todos os dias. É, principalmente, olhar para dentro de nós, para redescobrir nossas escolhas e o poder que cada uma delas nos dá. 

Só o que posso dizer é obrigada ao meu criador de coincidência que anos atrás me apresentou o universo dos booktubers, que me fez comprar Fangirl e que me fez clicar no vídeo da Pam Gonçalves. Valeu totalmente à pena! 

P.S.: Neste link, o autor dá uma entrevista incrível à revista Galileu e conta suas inspirações e pensamentos sobre o livro. Recomendo demais também!

AS NOVAS SÉRIES DO NETFLIX

Olha, faz tempo que eu não dou as caras aqui pra falar de um assunto que eu consumo tanto: séries. Ultimamente ando assistindo bastante e hoje senti vontade de falar sobre as últimas duas que vi. As duas são produções do Netflix e estreias recentes. E ó, não se preocupa que não tem spoilers, viu! ;)

GIRLBOSS  EUA ∙ 2017 ∙ TRAILER

A mais nova série do Netflix é uma adaptação livre da biografia homônima de Sophia Amoruso, a criadora da famosa loja Nasty Gal. A história mostra os primeiros passos da criação da loja milionária, que começou em meados de 2006 por meio da venda de roupas vintage no eBay.

Assisti o trailer a alguns dias do lançamento da série e me empolguei. Nunca li o livro mas já tinha escutado muitas críticas positivas, por isso me interessei pela premissa de uma produção sobre moda e empoderamento feminino.

Acontece que eu me decepcionei um pouco. Já no começo de cada episódio vemos o aviso: “A seguir, uma releitura livre de eventos verdadeiros. Muito livre”. Fica perceptível que os eventos da vida real não aconteceram como mostrados na série. Mesmo com esse aviso, achei que faltou mais realidade nos episódios, justamente por se tratar de uma obra baseada em fatos. Se é uma adaptação da biografia de alguém, por que modificar tanto a história, certo?

Outro ponto que me incomodou fortemente foi a personalidade da Sophia. A série tenta passar a ideia de que a protagonista é uma garota rebelde e que corre atrás do que quer custe o que custar. O que chega ao público, porém, é apenas uma garota egoísta e sem escrúpulos. Pra terem uma noção, mais de uma vez eu me peguei torcendo contra o final feliz da personagem!

No geral, Girlboss é divertida, rápida e leve. A trilha sonora, os figurinos e as participações especiais (como a do RuPaul!) são destaques positivos e, no fim das contas, a história é inspiradora. Me deixou com bastante vontade de ler o livro. Em contrapartida, os episódios são extremamente rasos e cumprem de maneira muito superficial o que prometem — como no caso do girl power, que é muito pouco representado, mesmo estando até no título da série (!).

13 REASONS WHY  EUA ∙ 2017 ∙ TRAILER

Se você ainda não ouviu falar — coisa que eu duvido muito —, 13 Reasons Why conta a história de Hannah Baker, uma garota que cometeu suicídio e deixou fitas de áudio contando os 13 porquês da sua decisão. A série é também produzida pela Netflix e baseada em um romance de mesmo nome, escrito por Jay Asher.

Na minha opinião, essa é uma série difícil. Difícil pra quem fez e difícil pra quem assiste. A história é baseada em temas extremamente delicados, sendo suicídio o principal deles. A narrativa discute também bullying, assédio, machismo, depressão e muitos outros, tudo retratado de maneira muito gráfica, intensa e perturbadora.

A série me deixou bastante impactada e isso aconteceu principalmente porque tudo é muito real. É fácil pra qualquer pessoa, especialmente jovem, se identificar com os personagens, seja em atitudes boas ou ruins. Isso acontece porque eles foram retratados de maneira muito completa, em que nem todo mundo é tão bonzinho ou tão vilão.

O maior ponto positivo de 13 Reasons Why é definitivamente a fomentação de discussões sobre esses assuntos que são grandes tabus. É fato, a série deu o que falar e conseguiu passar sua mensagem principal: tudo o que você faz impacta a vida de alguém de alguma maneira. Por outro lado, esses temas são tabus por certos motivos e a discussão deve ser feita de maneira muito delicada. Para alguém que sofre ou já sofreu dos abusos retratados na trama, a visualização daquilo pode não ocorrer bem e até incentivar determinadas atitudes. Na minha opinião, faltou mais cuidado com isso, coisa que um simples aviso no começo dos episódios — como acontece em capítulos com cenas mais fortes — poderia amenizar.

O tema é muito amplo e relativo, mas, no geral, acredito que a trama mais ajudou do que atrapalhou. O Centro de Valorização à Vida, organização que ajuda na prevenção do suicídio, divulgou que depois da estreia da série, a procura por ajuda aumentou drasticamente. 

hannah

13 Reasons Why é chocante, revoltante e triste. Eu de forma alguma recomendo a quem acredita não estar bem mentalmente. Já aos outros, ainda que os primeiros episódios se arrastem muito e tudo demore muito pra acontecer, o tempo gasto é válido. A reflexão é perturbadora, mas extremamente necessária.

Por fim, deixo dois vídeos que acredito refletirem bem minha opinião sobre a história:

É isso! Parabéns pra quem leu até aqui, hehehe. Beijos!

QUEM É VOCÊ, ALASCA? (JOHN GREEN)

QEVA1

Quem é Você, Alasca? ∙ John Green ∙ Editora WMF Martins Fontes

Miles Halter – ou Gordo, como é apelidado – é um adolescente que coleciona últimas palavras. Em uma de suas buscas, ele encontra a do poeta François Rabelais que diz: “Saio em busca de um Grande Talvez”. Cansado de sua vida sem amigos na Flórida e decidido a correr atrás do seu próprio Grande Talvez, ele vai estudar no colégio interno de Culver Creek, no Alabama. Lá ele faz amigos e conhece Alasca Young, uma menina extremamente misteriosa e enigmática.

QEVA3

A história envolve muita bebida, cigarro e namoro, mas não pense que é só esse o foco. Os personagens falam muito de sentimentos, especialmente descoberta e perda. A capa do livro resume: “O primeiro amigo, a primeira garota, as últimas palavras”.

DVAQ6

Quem é Você, Alasca? tem uma narrativa leve e é dividido entre “Antes” e “Depois”. Isso dá ainda mais vontade de ler em pessoas curiosas como eu, porque ficamos desesperados para chegar no meio e descobrir o que aconteceu! A versão que eu tenho é a mais antiga, coincidentemente com a capa que eu mais gosto.

QEVA4

Comprei esse livro no ano passado mas só li agora. Tentei ler assim que comprei mas acabei desistindo nas primeiras páginas porque o começo é meio parado. Dei uma chance novamente e me surpreendi. John Green, né gente?! Não dava para esperar outra coisa. Apesar de a história não ter me tocado tanto quanto as outras do autor (esse foi o livro que eu menos gostei), é inegável que é um livro fantástico. A única consideração negativa que eu tenho para fazer é que eu não curti muito a Alasca. Me incomoda todo esse mistério dela! De qualquer forma, a maneira com que tudo é solucionado no final é incrível.

Se ainda não te convenci a ler, saiba que o livro tem citações bem legais, especialmente as últimas palavras. Amei do fundo do meu coração a do “Grande Talvez”.

QEVA2

Nota: ♥♥♥♥

Alguém aí já leu ou ficou vontade de ler? Me conta nos comentários! Espero que tenham gostado da resenha. Eu estava com o post pronto há séculos mas enrolando pra tirar as fotos. Aliás, vocês notaram que eu estou com a regata laranja da Alasca nas fotos? Hehehehe. Beijo <3

CIDADES DE PAPEL (JOHN GREEN)

CDP2

Cidades de Papel ∙ John Green ∙ Editora Intrínseca

Quentin Jacobsen – apelidado de Q –, um garoto meio nerd, é apaixonado desde a infância por Margo Roth Spiegelman, linda e popular.  O clichê acaba aí pois, numa certa madrugada, a garota invade o quarto dele pedindo ajuda num plano de vingança e Q, é claro, aceita. Depois dessa noite, ele espera que tudo mude entre os dois, mas Margo desaparece. O garoto então conta com a ajuda dos amigos para achar pistas e segui-las, mas quanto mais Quentin descobre, mais ele percebe que Margo não é quem ele pensava.

CDP1

O livro é dividido em três partes: a madrugada, as pistas e a busca. A fonte, a diagramação e o espaçamento são bons e o livro é pequeno, dá pra ler em um dia :)

CDP3

Não sei por que ainda me surpreendo com o John Green. Mais um livro impecavelmente escrito e com uma história maravilhosa! Comprei Cidades de Papel sem ter lido nada sobre e não me arrependi nem um pouco. A história é bastante reflexiva e o final me surpreendeu. Como já mencionei aqui no blog, os personagens são sempre cativantes e escrita do autor é leve, mesmo quando se trata de temas pesados. Dos três livros que li do autor, acho que esse foi o que eu mais gostei.

– Nada acontece como a gente acha que vai acontecer – diz ela.

–  Verdade –  digo. Mas depois que penso a respeito por um segundo, acrescento: –  Mas, se você não imaginar, as coisas sequer chegam a acontecer.

(Cidades de Papel, pg. 354)

Ah, e se você quiser saber mais sobre o livro, o John Green responde algumas perguntas dos fãs nesse vídeo aqui! :)

Nota: ♥♥♥♥♥

Espero que tenham gostado da resenha! Foi curtinha mas foi de coração, hehe. Esse foi um dos livros que eu li nas férias, por isso as fotos num lugar diferente. Me conta se você já leu Cidades de Papel ou se ficou com vontade de ler! Um beijo <3

O MÁGICO DE OZ (L. FRANK BAUM)

Oz5

O Mágico de Oz ∙ L. Frank Baum ∙ Editora Zahar

Dorothy é uma garotinha do Kansas que, após um ciclone atingir sua casa, vai parar na fantástica Terra de Oz. Lá ela descobre que para voltar para casa precisa da ajuda do grande Mágico de Oz. No caminho ela encontra o Espantalho, que procura um cérebro, o Lenhador de Lata, que deseja um coração, e o Leão Covarde, que quer ser corajoso. Os três então embarcam com ela à procura do mágico, passando por vários desafios e aventuras.

Oz6

A edição que eu comprei foi a da editora Zahar, da coleção Edição Bolso de Luxo. Como o próprio nome sugere, o livro é pequeno (tamanho pocket) mas possui capa dura e é cheio de ilustrações. Uma das coisas que eu mais gostei foi a estrada de tijolinhos amarelos no começo e no final do livro!

Oz1

Apesar da história do Mágico de Oz já ser conhecida e eu já ter lido uma vez em inglês, eu não lembrava muito bem de nada e me surpreendi a cada capítulo. Achei o conto muito bacana por passar grandes lições, apesar de se tratar de uma história infantil. Não vou dar muitos detalhes pra não soltar spoiler (se é que alguém ainda não sabe), mas o final de cada personagem traz uma lição muito bacana.

Oz2

Como eu disse, acredito que esse livro seja adequado para pessoas de qualquer idade. Recomendo muito!

Nota: ♥♥♥♥

É isso, espero muito que tenham gostado da resenha. Alguém aí já leu? Me conta nos comentários! Um beijo <3