Nova York pra quem tá pobre

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Sejamos honestos: viagem internacional é caro. É claro que tudo é extremamente relativo e depende de como você quer que sua viagem seja, mas, a não ser que você seja milionário, não dá pra viajar sem passar uns meses guardando uma graninha. Por isso, economizar durante a viagem é fundamental, já que, se bem aplicado, esse dinheiro pode render uma quantidade maior de passeios e compras!

Como eu disse aqui, ao final dos intercâmbios de trabalho nos Estados Unidos nós temos o Grace Period (GP), que são 30 dias a mais para passear pelo país sem precisar de visto de turista. Eu viajei por uma semana (e mais alguns dias) para Nova York e, como estava no fim do meu programa e com a grana mais curta, posso dar algumas dicas de como viver na cidade sem gastar tanto. Esta foi a minha segunda vez em NY e nos tópicos abaixo vou contar cada detalhe de como foi essa #aventura:

HOSPEDAGEM E TRANSPORTE

Antes de embarcar para Orlando e meu intercâmbio realmente começar, eu já tinha em mente que queria viajar para Nova York ou para Califórnia durante o GP. Apesar de já ter ido para lá, acabei optando por NY por um único motivo: era mais barato.

Conheci em um grupo do ICP algumas meninas que estavam procurando pessoas para dividir hotel na cidade. As datas bateram com as minhas e lá fui eu, fechar hotel com pessoas que eu nem ao menos conhecia! No fim das contas deu tudo certo e dividir o quarto foi fundamental para não gastar tanto, além de me dar a oportunidade de fazer amizades.

Nós reservamos o Hotel at Times Square que, como o próprio nome diz, fica na Times Square (dã). O hotel era excelente, tanto em localização quanto em serviços. O quarto era confortável e tinha café da manhã incluso, que foi uma boa maneira de economizar com comida.

Procurar um hotel com boa localização, perto dos lugares que queríamos visitar, foi muito importante para nossa economia. Muitas vezes o barato pode sair caro e podemos acabar gastando mais tempo e dinheiro com transporte do que economizamos no hotel, então é bom pensar bem. Falando em transporte, a melhor maneira de andar por NY é de metrô. Ele leva para todos (todos!) os lugares da cidade e o passe semanal custa 30 dólares. Mais uma excelente economia!

PS: Muitas pessoas do ICP ficaram hospedadas no The Row, que é também perto da Times Square.

ALIMENTAÇÃO

Comida em viagem é uma coisa extremamente relativa, já que depende do lugar, do dia, da vontade e, claro, da sua fome.

Eu não sou uma pessoa que costuma gastar muito com comida, porque, honestamente, prefiro gastar com coisas que posso levar para casa, hehehe. Pensando nisso, não foi um problema tão grande para mim não me alimentar direito durante o tempo que estive lá. Comi muita pizza de 1 dólar e sanduíche do McDonald’s por conta do preço mesmo, mas também fiz algumas refeições em lugares bacanas.

Minha dica é tomar um café da manhã reforçado e se possível levar na bolsa lanches para o dia. Assim você não tem que parar o tempo todo para comer e ainda economiza uma graninha. Outro conselho é procurar bastante lugares bons e baratos pra comer. Nova York é uma cidade muito grande e você consegue achar comida gostosa por um preço razoável. Os melhores lugares que comemos foi um ravióli no Chelsea Market, um spaghetti com frango à parmegiana em Little Italy, um hambúrguer no Shake Shack e uma pizza no Artichoke Pizza. Cada um por menos de 20 dólares!

PASSEIOS

Para mim, a melhor parte! NY é uma cidade linda e andar pelas ruas é como estar em um filme, emocionante em cada cantinho. Como era a minha segunda vez na cidade e também dos meus amigos, nós optamos por não visitar todos os pontos turísticos, já que já conhecíamos alguns.

A maioria dos passeios que fomos foi de graça, como Central Park, Times Square, Grand Central Terminal, Brooklyn Bridge, Ground Zero, The High Line, etc. Entre os passeios pagos, destaco o One World Trade Center, em que pagamos por volta de 40 dólares para subir até o observatório. Valeu à pena porque a vista é linda e esse foi o único observatório que fomos, mas se você só tem como escolher um, indico o Top of the Rock porque a vista é mais bonita — especialmente no pôr do sol.

Nós fomos também assistir ao espetáculo da Broadway e escolhemos O Fantasma da Ópera. Sendo sincera eu não curti muito. Paguei cerca de 50 dólares no ingresso com desconto e achei o show muito bonito e bem feito, mas como eu não conhecia a história, foi difícil me encantar e confesso até que cochilei em alguns momentos KKKK Recomendo fortemente os espetáculos da Broadway pela experiência, mas procure um que você se identifique com a história! Tenho certeza que minha opinião seria outra se eu tivesse assistido O Rei Leão ou Aladdin, por exemplo.

Quanto aos museus, nós fomos ao MET (Metropolitan Museum of Art), MoMa (Museum of Modern Art) e o Guggenheim, mas só entramos de fato no MoMa. O museu é lindo e o ingresso custa 25 dólares, mas às sextas-feiras, das 16h às 20h, a entrada é gratuita. A maioria dos museus em NY tem esse tipo de serviço e neste link você pode conferir a lista. Só lembre-se de chegar cedo porque lota!

Abaixo vou deixar algumas fotos dos lugares que visitamos, mas pretendo falar com mais detalhes deles em breve:

COMPRAS

Não vou mentir: adoro. Adoro tanto que um dos motivos de eu não ter tanto dinheiro assim em NY foi porque gastei boa parte das minhas economias durante o ICP. Na minha opinião Orlando é bem melhor para compras do que NY, mas não pense que eu voltei pro Brasil sem nada de NY porque dá sim pra achar coisa barata por lá.

O melhor lugar que fomos comprar foi o outlet Jersey Gardens, que fica em New Jersey, a cerca de 30 minutos de Manhattan. É um passeio que demanda um dia inteiro, mas vale à pena porque lá você encontra várias marcas por preços bem mais vantajosos que nas lojas de NY.

Como não nós alugamos carro por lá, nossa melhor alternativa foi ir de ônibus. É só ir até o Port Authority Bus Terminal e comprar o ticket de ida e volta que custa 13 dólares. Dessa forma você fica limitado aos horários dos ônibus, mas para nós não foi um problema e deu tudo certo.

Manhattan também tem muitas opções lojas e você consegue encontrar absolutamente tudo que quiser. Eu não costumo me importar com marcas, então pra mim as melhores lojas são as de departamento como Forever 21 e H&M. Essas lojas tem em todo canto, especialmente na Times Square, que são enormes! Recomendo ir também na Victoria’s Secret da 5ª avenida, que também é enorme e conta até com um museu da marca no último andar!

Alguns outros lojas que na minha opinião valem a visita são Macy’s (a maior do mundo!), Century 21, B&H Photo e Video, Wallgreens, Disney Store, M&M’s e Uniqlo.

Em qualquer loja, a minha dica é procurar bem. A maioria das lojas costuma ter uma área de promoções então não deixe de passar lá. Na Vans comprando dois tênis um saía pela metade do preço, enquanto na Zara eu consegui achar uma saia de 5 dólares e na Forever 21 uma jaqueta de 4 dólares. Procure!

CONTRATEMPOS

Coloquei esse tópico porque aconteceu um probleminha comigo na viagem e deixar um dinheiro reservado foi fundamental.

O meu voo de volta seria no dia 9 de fevereiro para Orlando e de lá para o Brasil. Só que neste dia ocorreu uma nevasca em Nova York e a maioria dos voos domésticos foi cancelada. Recebi um e-mail da companhia aérea na manhã do dia 9 e, com todos os voos lotados, só consegui remarcar minha volta para o dia 13 de fevereiro! Tive que ligar também na companhia que me levaria de Orlando para o Brasil, para também adiar o voo.

Todas essas trocas não tiveram custo já que foram causadas pelo tempo, mas como eu precisaria ficar mais quatro dias na cidade, tive que gastar a mais com a hospedagem. Por sorte (ou azar), alguns amigos também tiveram esse problema e eu consegui dividir um novo hotel por mais alguns dias.

Apesar de ter um dinheiro guardado, infelizmente a quantia não era suficiente e meus pais tiveram que me auxiliar do Brasil. Por isso, minha dica é sempre ter um dinheiro reservado porque nunca sabemos o que pode acontecer. No fim das contas foi muito bom ter conseguido ver neve! hehehe

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Por hoje é isso! Mais uma vez peço desculpas pelo tamanho do post KKKK Espero que tenham gostado da minha experiência na cidade que nunca dorme e que minhas dicas de como economizar uma graninha tenham ajudado. Um beijo e até mais!

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Orlando Eye, Madame Tussauds e Shake Shack

Eu já falei muito de Disney nesse blog, contando vários detalhes dos parques e atrações. Mas a verdade é que sempre parece que há algo que ainda falta dizer! Durante o meu programa de intercâmbio, eu fiz um passeio que não tinha feito em nenhuma outra vez que estive na cidade, que foi visitar a Orlando Eye e o museu Madame Tussauds.

O lugar na verdade se chama I-360 e é um complexo de entretenimento fora dos parques. Ele fica na famosa rua International Drive e conta com três atrações: a roda gigante Orlando Eye, o museu de cera Madame Tussauds e o aquário SEA LIFE Orlando. Os ingressos são vendidos separadamente ou em conjunto. Nós optamos por visitar somente a roda gigante e o museu de cera e o ingresso custou por volta de 30 dólares.

A Orlando Eye tem 122 metros de altura, ou seja, o passeio rende uma boa vista da cidade. Nós fomos à noite e a vista foi linda, mas eu recomendo ir de dia porque acredito que dê pra ver mais coisa.

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Já o museu de cera vale a visita em qualquer horário! A atração é muito divertida e tem celebridades do mundo todo — inclusive o Neymar! #ÉTois #ChegandoComOsRefri

Lá perto também fica o Shake Shack, lanchonete que é sucesso em Nova York e que recentemente abriu em Orlando. Eu já tinha escutado falar muito sobre os hambúrgueres de lá então as expectativas estavam bem altas. E olha, eu não me decepcionei nadinha! O sanduíche é de-li-ci-o-so (o molho é um show a parte) e as batatas em formato de ondinha foram um sonho realizado. Pra completar eu pedi também um milkshake, que estava excelente.

O atendimento também foi de primeira e a decoração me encantou demais! Quanto ao preço, no meu caso ficou por volta de 20 e poucos dólares, que valeram totalmente à pena. Pra mim é 10/10.

No fim das contas o passeio vale muito à pena porque é diferente de todo o resto em Orlando. Separe um momento da viagem para conhecer essas atrações que eu garanto que você não vai se arrepender! Beijos e até a próxima :)

Vida de Custodial

Como eu expliquei aqui, cada cast member tem a sua role, ou seja, sua função no parque. A minha foi Custodial e hoje vou falar um pouquinho dela e de todos os prós e contras.

Custodial entrou na minha vida por meio da minha amiga que fez o programa no ano anterior. Lembro perfeitamente de quando ela me contou que trabalharia na Disney limpando o parque. Minha reação foi imediata: eu ri. Depois ela me explicou os prós e os contras e, veja só no que deu, no ano seguinte lá estava eu colocando Custodial como minha primeira opção. E cara, que bom que eu coloquei! Apesar de 90% dos cast members dizerem que suas roles são as melhores, hoje eu vejo que nenhuma outra seria tão perfeita pra mim.

O trabalho dos custodians é simples: você precisa manter a limpeza do parque (ou resorts, mas eu falo mais sobre parque porque foi onde eu trabalhei). Perceba que eu disse manter e não limpar! Isso acontece porque todos os dias, durante a madrugada, os parques recebem uma limpeza mais pesada pelo pessoal chamado de “third shift”. O serviço dos custodians, então, é só fazer com que tudo continue limpo enquanto o parque ainda está aberto.

O nosso trabalho é dividido em shifts (turnos) de banheiros e de ruas (restrooms e streets).

Em shifts de banheiro, somos responsáveis por mantê-lo em ordem. Isso significa repor papel e sabão, secar pias, varrer papel do chão, tirar lixos, etc. Significa também limpar caso aconteça algum acidente mais sério, como vaso transbordando, vaso entupido de cocô e muito mais. Não é sempre, mas acontece, então esteja preparado pra lidar com isso.

Quando caímos em shifts de rua, somos responsáveis por tirar o lixo das lixeiras e atender a qualquer chamado de limpeza. Alguém vomitou num brinquedo mais radical? Custodial vai limpar. Derrubaram picolé no meio da rua? Custodial vai limpar. Uma criança fez xixi de tanta emoção ao ver seu personagem preferido? Custodial vai limpar. Alguém caiu e sujou o chão todinho de sangue? Adivinha só?! Custodial vai limpar. Como eu disse acima, são coisas que não acontecem o tempo todo, mas que você deve estar preparado para lidar.

Além dessas duas divisões, existem também as de horário e de local. Os parques são divididos por áreas e cada custodial fica responsável por uma ou mais. Em shifts de rua, você cuida das lixeiras e de tudo que acontece naquela área (inclusive de coisas dentro das atrações). Já em shifts de banheiro, você cuida de um ou mais banheiros dali. Com relação aos horários, os custodians são divididos em openers, mid e closers, ou seja, são responsáveis por abrir, “manter” ou fechar aquela área.

Eu costumo dizer que o trabalho de Custodial é basicamente sorte. Isso acontece porque, diferentemente das outras roles, tudo é extremamente relativo. Depende da área que você vai cair e depende especialmente do que vai acontecer no parque naquele dia. Você pode cair num banheiro completamente vazio ou em um que está sempre com fila na porta. Você pode ser chamado no mesmo dia pra limpar vários vômitos (famigerado “Code V”) ou passar todo o programa sem ter limpado nenhum. Eu conheço gente que nunca limpou nenhum code (vômito, xixi, cocô ou sangue) e conheço gente que na primeira semana teve que limpar uma explosão de cocô em um banheiro. É tudo questão de sorte.

O que eu posso te garantir é que, sendo Custodial, você vai ter muita liberdade e muita guest interaction. Esses são, sem dúvidas, os maiores prós dessa role e os que me fizeram colocá-la como primeira opção. Você é responsável por manter a limpeza do parque, certo? Isso significa que até a lixeira encher ou até seu banheiro precisar ser checado de novo, você é dono do seu horário e livre pra andar pela sua área. Sua obrigação nesse tempo é varrer pequenas sujeiras do parque, mas também dar informações e conversar com os visitantes, já que, por estarmos sempre nas ruas, os custodians são um dos contatos mais imediatos dos guests com um Cast Member. Você deve informar, conversar, brincar, trocar pins e muito mais – coisa que rende várias histórias pra você trazer pra casa.

Outro ponto positivo de ser Custodial é que dificilmente você vai ter uma experiência negativa com um guest. É claro que existem pessoas ruins em todos os lugares, mas, diferentemente de outras posições, em que as pessoas podem não te obedecer e querer discutir, como Custodial raramente você vai precisar adotar uma postura mais agressiva com alguém. O que acontecia comigo na maioria das vezes era justamente o contrário: as pessoas agradeciam e elogiavam o trabalho que eu estava fazendo.

Pra completar, os custodians geralmente recebem bastante horas e assim conseguem fazer bastante dinheiro. Nós também não temos problema em doar e pegar shifts em outros lugares (ainda que eu só tenha trabalhado no DHS). Se seu objetivo é esse, fica ainda mais fácil juntar uma grana.

O ponto negativo dessa role é um só: lidar com coisas “nojentas”. Se você for uma pessoa bastante fresca, eu não te indico ser Custodial, porque você vai sentir nojo. Mas se você acha que dá conta ou se tem uma pequena dúvida, vá em frente. Eu te garanto: o trabalho é bem mais leve do que parece. Pra ter uma noção, a Disney usa um produto pra limpar Code V’s em locais externos que é só jogar em cima que o vômito vira uma espécie de serragem. Daí é só varrer e pronto. Acredita em mim, não é tão ruim quanto parece.

O meu local de trabalho foi o Hollywood Studios e eu não poderia ter amado mais. Sempre foi um dos meus parques preferidos como guest, mas como cast member foi ótimo porque ele não é nem muito cheio e nem muito grande. No meu ano muitas áreas e atrações estavam fechadas ou reformando, então facilitou bastante na hora de decorar e aprender tudo.

Além disso, diferente de alguns outros parques, como Custodial no DHS podemos cair em qualquer área. Isso é maravilhoso porque nos permite conhecer e trabalhar no parque todo. Um dos lugares em que podemos trabalhar no Hollywood Studios é no Fantasmic, o show noturno de fogos e projeções. É definitivamente o melhor shift de todos porque você tem pouquíssima coisa pra fazer e ainda pode assistir o espetáculo todinho. Cá entre nós, confesso que chorei de emoção algumas vezes assistindo, durante o shift mesmo.

Se ainda não te convenci, sabia que o Hollywood é o único lugar em que somos chamados de showkeepers, ou seja, os responsáveis por manter o show!

Ser Custodial foi uma experiência maravilhosa. É claro que nem tudo são flores e bate aquele desespero quando o vaso transborda, o banheiro não para de chegar gente ou quando seus líderes são bem insuportáveis. Mas foi uma experiência muito enriquecedora pessoalmente e profissionalmente, porque tive ainda mais certeza de que qualquer trabalho é trabalho e ninguém é inferior por desempenhar determinada função. Eu já sabia disso, mas viver na pele é um choque de realidade muito grande que eu definitivamente recomendo a todos. De verdade, você volta outra pessoa.

Fora isso, ser Custodial ainda me proporcionou muitas amizades. Pelo menos no nosso programa, por não sermos muitos, fomos com certeza a role mais unida. 

E claro, a mais miguézera <3

ICP: Depois

Bom, eu voltei tem pouco tempo mas já posso dizer que a vida depois do ICP é díficil – mais difícil que acordar 5h da manhã pra um shift de 14h. Apesar de toda a saudade que você sente de casa, voltar dói. Isso não significa de maneira alguma que você não sentiu falta da sua família e amigos, mas no ICP você vive momentos muito intensos e completamente diferentes da sua vida no Brasil, então ter que voltar pra sua rotina é complicado e muitas vezes doloroso. Vai doer rever as fotos e vídeos, escutar as músicas que você escutava por lá, contar uma história engraçada pra alguém e até ver Mickeys espalhados por todo lugar. Minha dica? Esteja preparado.

O visto de trabalho para o programa te dá direito ao Grace Period, que são 30 dias de “férias” em que você pode viajar para qualquer lugar nos Estados Unidos. Viajei pra Nova York após o fim do meu programa e isso facilitou bastante a minha despedida do ICP. Passei uma semana na cidade e foi uma ótima maneira de finalizar o meu programa.

De volta ao Brasil, sinto imensa gratidão e carinho por cada momento e pessoa que passou pela minha vida nesses últimos meses. Não sinto vontade de fazer outro programa da Disney (pelo menos não por enquanto), mas carrego a experiência no meu coração. Os momentos de cansaço e tristeza ficam muito pequenos comparados a todas as alegrias. No fim, só o que ficam são as boas memórias. E, claro, o cartão de memória lotado.

“Goodbye may seem forever
Farewell is like the end
But in my heart is a memory
And there you’ll always be.”

ICP: Durante

Eu cheguei na Disney no dia 28 de novembro mais feliz que não sei o que. Essa era minha quarta vez em Orlando mas estar lá é sempre um sonho e sempre a mesma alegria. Dessa vez, porém, conseguia ser ainda melhor.

Cheguei no Vista Way, condomínio que era minha primeira opção, e recebi a chave do meu apartamento. O 2202 seria minha casinha daquele dia até 2 de fevereiro e eu dividiria ela com mais cinco brasileiras, de vários cantos do país. Já adianto que tive muita sorte de cair com meninas incríveis, que não foram apenas colegas de quarto durante o programa, mas sim a minha família do ICP e meu pedacinho de casa nos Estados Unidos.

Os primeiros dias são os mais livres do programa, então já deixo a dica: aproveite para curtir. Em seguida vêm vários dias de treinamento, onde aprendemos valores, tradições, regras e tudo o mais que faz a Disney funcionar como empresa. Algumas aulas são bem chatas e cansativas, mas confesso que gostei muito de ver de perto como tudo é feito para que o resultado chegue da forma que chega aos clientes. 

Depois disso, finalmente chegou o dia de colocar a mão na massa. Meu trabalho foi como Custodial no Hollywood Studios (vou fazer um post mais detalhado sobre a minha role depois), então tive três dias de treinamento, em que nos ensinaram na prática o trabalho. Nos explicaram o que cada produto químico fazia e andamos por todos os banheiros e lixeiras do parque. No último dia de treinamento fizemos um prova escrita e uma prática e, voilà, já poderíamos ser custodians!

Os primeiros dias são os piores porque você não sabe muito bem o que está fazendo. Faz tudo meio com medo, responde errado pergunta de guest, faz umas cagadas ou outras e assim vai. Eu lembro perfeitamente que nos primeiros dias estava todo mundo meio desesperado. Minhas roomies não estavam gostando muito do trabalho e, em uma das nossas muitas conversas de madrugada, eu falei: “gente, alguma coisa acontece durante esse programa. Porque se tá todo mundo achando ruim no começo, mas no final vai todo mundo embora triste e com saudade, é porque alguma coisa acontece no meio”. E eu estava certa, acontece mesmo. O tempo vai passando e você pega cada vez mais a manha, fazendo o trabalho de maneira mais automática.

Honestamente, eu considero o trabalho de Custodial em si bem simples. Não precisa de grandes habilidades pra fazer, o problema é só pegar o jeito. O que é puxado na minha opinião é a quantidade de horas trabalhadas. No Hollywood estávamos recebendo cerca de 50 a 60 horas por semana, divididos em turnos muito longos. Em uma das semanas cheguei a receber 15 horas por dia, seguidos de dias de 14h, 13h e 12h em sequência. Isso aconteceu mais de uma vez e cansava muito, pois andávamos demais durante o trabalho e só tínhamos tempo de ir pra casa dormir. Prejudicava também a saúde, pois trabalhávamos em dias de calor, frio, chuva e até tornado (!).

Para quem quer fazer o programa, tenha bem claro em mente que não vai ser fácil. Você vai ficar em pé muitas horas, vai aguentar líder e coordenador chato, guest que enche o saco e muito mais. Vai passar frio e calor, vai se perguntar o que está fazendo ali e vai querer ir embora. Vai passar o Natal e o Ano Novo longe e vai sentir saudade de casa. Mas também vai aproveitar, vai fazer e receber magical moments, vai se emocionar, vai rir e se divertir. Vai valer à pena pela experiência, pelos amigos que você vai fazer e pelo crescimento pessoal que você vai ter. Não vai ser fácil mesmo, mas acredite, vai valer à pena.

Um dos maiores benefícios do programa é a entrada livre em todos os parques. Fui neles bem menos que gostaria porque meus horários estavam um tanto quanto complicados, mas aproveitei demais cada dia livre. É simplesmente maravilhoso poder acordar e a maior preocupação do dia ser decidir em qual parque que você vai.

O ICP, aliás, é maravilhoso por muitas razões. Você aprende a se virar sozinho, pratica seu inglês, ganha dinheiro e convive com gente de vários países e culturas. Você aprende a enfrentar situações muito diversas e a esquecer qualquer adversidade da sua vida pessoal a fim de manter o sorriso no rosto ao lidar com os visitantes do parque. Você vê de perto como cada coisinha é feita para que uma empresa tão grande funcione – e o melhor, você se sente parte daquilo.

O ICP faz você voltar pra casa com muitas histórias. Seja de convivência na casa, como todas as noites em que perdemos horas de sono pra conversar ou nas muitas vezes em que eu quase pus fogo no apartamento fazendo comida. Seja nas idas aos parques, como na vez em que cantamos o funk do Pararatibum na montanha-russa dos Sete Anões ou quando fizemos um show dançando Let It Go na frente do castelo. Seja nas festas, como na vez em que vomitaram no meu pé antes mesmo de chegar ou quando roubamos a lixeira da boate pra tirar uma foto de todos os custodians juntos. Seja no trabalho, como nas milhares de vezes em que estendemos nosso break, nos escondemos dos coordinators ou inventamos apelidos para eles.

Ou mesmo quando eu estava trabalhando e um menino me mostrou vídeos de futebol na Internet, me fazendo gritar “gol!” várias vezes no meio do parque. Ou quando eu ajudei uma menina a encontrar sua família e depois ela voltou onde eu estava pra me dar um abraço. São essas histórias e esses momentos únicos, que fazem qualquer cansaço, bronca ou decepção parecerem muito pequenos.

O ICP é maravilhoso por muitas razões, mas a principal delas, são as pessoas que entram na sua vida. De vários lugares do mundo e de cada canto do Brasil, são pessoas que estão vivendo o mesmo sonho que você e que vão compartilhar dos seus momentos bons e ruins. São elas que vão te acompanhar e se divertir com você durante um day off ou chorar e te dar apoio depois de um dia cansativo de trabalho. São essas pessoas, sejam elas colegas de quarto, de trabalho, de role, de parque, de cidade ou até que você conhece no ônibus ou numa festa, que vão dividir com você as memórias da melhor experiência da sua vida.

A minha dica para todo o programa é só uma: aproveite, porque passa muito rápido. Aproveite cada dia de trabalho, cada day off, cada festa, cada compra e cada amigo. Cada shift, cada Transtar e cada magical moment. Cada Señor Frogs, cada Happy Mondays e cada Baile do Brasil. Cada ida ao Cici’s, ao Wendy’s, ao Walmart e ao Outlet. Cada parque, cada ride, cada restaurante e cada show. Aproveite tudo, mas aproveite também suas noites de sono. Não tente fazer de tudo porque nosso corpo precisa de limites também. Faça o seu programa do jeito que você achar melhor e não se obrigue a fazer algo só porque o outro fez. Viva cada momento como se fosse único, porque de fato é. Nunca mais você vai viver nada parecido.

E se prepare para a Depressão Pós-Disney (DPD pros íntimos). Porque ela bate assim que você volta…

ICP: Antes

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Dando continuidade aos posts sobre o ICP, hoje vou contar um pouquinho mais sobre o processo seletivo e tudo que acontece antes do programa começar. Se você ainda não leu, sugiro que dê uma olhadinha neste post para entender tudo que é necessário para o intercâmbio. Sem mais delongas, vamos ao “antes”!

Se você leu isso aqui, sabe que minha história com a Disney é de longa data mas minha inscrição no programa foi muito em cima da hora. Fiquei sabendo no dia anterior da palestra que aconteceria em Brasília e fui sem estar inscrita no site. Chegamos cedo para ficar na fila de espera e isso foi ótimo, porque deu tudo certo e conseguimos entrar. A palestra é bem detalhada e te explica tudo que você precisa saber sobre o programa, desde regras a todos os custos. É lá também que recebemos a data e o horário da primeira entrevista e a minha estava marcada logo para o dia seguinte.

Para mim tudo aconteceu muito rápido e eu achei que isso atrapalhou um pouco o meu desempenho. Ainda que a entrevista tenha sido muito simples, eu estava muito nervosa e senti que não me saí tão bem quanto gostaria.

As perguntas são basicamente por que você gostaria de trabalhar na Disney, qual a função que você gostaria de trabalhar e por quê, se você está disposto a viver com pessoas de culturas diferentes, etc. Minha dica para essa primeira entrevista é demonstrar interesse, flexibilidade e extroversão. A Disney preza muito por pessoas alegres e animadas, então não deixe de sorrir durante a entrevista e demonstrar o quanto aquilo é importante para você e para sua carreira. Eles querem também alguém que não tenha problemas em lidar com horários loucos e gente de todo tipo, então não esqueça de demostrar flexibilidade na hora de responder.

No meu caso, apesar de achar que fui simpática e flexível durante as perguntas, senti que o nervosismo tinha me atrapalhado muito e saí de lá com a certeza de que não tinha passado. Depois de uma longa – bem longa! – espera, a resposta finalmente saiu. Os resultados podem ser aprovado, reprovado e stand-by (nesse caso os candidatos ficam numa lista de espera para que, conforme os aprovados desistam, eles sejam chamados) e foi uma grande surpresa ver que eu tinha sido aprovada logo de cara!

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A segunda fase acontece em São Paulo e é agendada. Minha entrevista estava marcada para o dia 17/08, então no dia 16 lá estava euzinha embarcando. Logo no aeroporto, porém, meu celular caiu, quebrou a tela e parou de funcionar (vide foto acima). Na hora foi uma grande tristeza, mas depois percebi que isso foi fundamental para meu desempenho na entrevista, pois eu não tive acesso a nenhum grupo e a nenhuma informação ou pergunta feita aos outros candidatos. Isso foi ótimo porque me manteve bem mais tranquila durante toda a viagem.

A entrevista dessa vez acontece com os próprios recrutadores da Disney e é um pouco mais detalhada. As perguntas, no entanto, não diferem muito da primeira. Eles perguntam mais uma vez o motivo de você querer trabalhar na Disney, mas focam mais em qual a função que você pretende desempenhar e por quê. Minha dica para esta fase é que você deixe bem claro suas preferências, tanto de função como de local de trabalho, porque muitas vezes eles levam isso em consideração. É provável também que nessa entrevista o recrutador te coloque em uma situação-problema relacionada à função que você escolheu, então é bom já estar preparado. Novamente não esqueça de demonstrar interesse, simpatia e flexibilidade.

Como eu disse, minha entrevista foi muito tranquila. Eu obviamente estava nervosa, mas bem menos que da primeira vez. A minha recrutadora foi a Jenny, que foi muito simpática e fez a entrevista fluir naturalmente. Ela me perguntou as minhas preferências para função e o motivo (respondi Custodial, Merchandising e Character Attendant, nessa ordem). Depois ela me deu uma situação-problema de uma delas (Merchandising) e perguntou também se eu teria algum problema de cair em uma função que não fosse as que eu coloquei como primeiras opções (Quick Service). Respondi que não, claramente. É nessa entrevista também que eles verificam coisas relacionadas ao Disney Look, então ela pediu para ver as minhas tatuagens. Eu mostrei (elas ficam no braço) e ela disse que não tinha problema porque o uniforme dá a possibilidade de usar uma blusa de manga comprida por baixo.

No fim da entrevista escutei da Jenny que eu tinha feito um bom trabalho e saí de lá confiante – porém ainda ansiosa, é claro. A primeira leva de resultados demorou pouco mais de uma semana pra chegar e junto com ela veio o meu email de congratulations. Sim, eu tinha sido aprovada! E ainda para Custodial, a função que era a minha primeira opção!

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Eu comemorei, chorei, pulei e gritei. Mas depois disso veio a parte chata, de burocracias, formulários, passaporte, visto, documentos, taxas, pagamentos, etc. Parece desesperador no começo mas tudo deu certo no fim e cada documento preenchido era um pézinho a mais na Disney. Então, acredite, vale à pena. Minha dica pra essa parte é bem simples: tenha calma porque tudo se resolve no seu tempo.

O processo todo começou em maio e só terminou dia 28 de novembro, data de início do meu programa. Foi quase um ano inteiro de preparações e muita ansiedade, em que eu li muito site, blog e depoimento, além de assistir muitos vídeos imaginando como seria quando fosse a minha vez lá. A minha principal dica pra acalmar o coração, porém, é fazer amigos durante o processo. Entre nos grupos (serão muitos) de Facebook e WhatsApp, converse com quem já foi e com quem quer ir, tire dúvidas, vá em encontros, etc. É provável que esses amigos nem sejam os mesmos que vão te acompanhar durante o programa, mas são eles que vão te ajudar a resolver todo e qualquer problema antes de tudo começar.

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E acredite, está só começando.

O International College Program

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Oi! Sei que este blog leva o título de Blog Mais Abandonado do Brasil, por isso, se tem alguém lendo, deve estranhar o fato de ter posts novos. Mas é porque eu só volto quando tenho algo a dizer e hoje eu quero contar a minha experiência no ICP.

Se você ainda não o conhece, o International College Program (ICP pros íntimos) é um programa de intercâmbio para trabalhar nos parques e hotéis da Disney. Os pré-requisitos são ter mais de 18 anos, falar inglês (o necessário para se comunicar) e estar matriculado em uma faculdade entre o segundo e o último semestre num curso reconhecido pelo MEC. Precisa ter disponibilidade para iniciar e completar o programa, que geralmente acontece entre o fim de novembro e o começo de fevereiro, além de ter condições para custear passagem aérea e algumas taxas. É necessário também estar disposto a se encaixar no Disney Look, ou seja, nada de piercings e tatuagens visíveis (pode ter, só é preciso esconder durante o trabalho), cabelos chamativos, etc.

O processo se dá em uma palestra e duas entrevistas em inglês, sendo a primeira delas com o pessoal da STB, a agência de intercâmbio que media a relação dos candidatos brasileiros com a Disney, e a segunda com os próprios representantes da Disney. As palestras e as primeiras entrevistas costumam acontecer em cinco capitais do Brasil em meados de abril e maio, mas todo ano as datas e os locais costumam variar, então tem que ficar de olho no site. A segunda entrevista acontece apenas em São Paulo, em meados de agosto.

Na Disney você pode trabalhar nos parques e nos resorts em funções, chamadas de roles, como personagem (character performer), assistente do personagem (character attendant), auxiliar de limpeza (custodial) e funcionário de lojas (merchandising), lanchonetes e restaurantes (quick service) e atrações e brinquedos (attractions). Não é possível escolher sua função e local de trabalho, mas nas entrevistas o candidato tem a possibilidade de enumerar as roles de acordo com sua preferência. O salário é de no mínimo $9,50 por hora (no meu programa recebíamos $10) e a jornada de trabalho mínima são 30h semanais.

Esse foi um resumo geral porque minha intenção aqui não é informar muitos dados técnicos do programa, já que tudo isso pode ser encontrado no site da STB. Além disso, muitos outros sites, blogs e vlogs explicam passo a passo o que você precisa fazer se quer participar. Sugiro fortemente também entrar em grupos no Facebook, para tirar dúvidas e fazer amizades com o pessoal que também está tentando. E ó, já tem grupo de 2017/2018, viu!

Minha intenção com os próximos posts é contar detalhes da minha experiência, porque o ICP é um intercâmbio extremamente relativo. Tudo depende de muita coisa, então tenha já em mente que seu programa jamais vai ser igual o de outra pessoa. Mas saiba que a graça é justamente essa :)

Nos próximos posts vou dar detalhes de antes, durante e depois do programa, junto com algumas dicas pra quem também quer fazer. Portanto aguardem, hehehe. Beijosss!

PS: Duvido me acharem na foto lá em cima, hehehe.