Orlando Eye, Madame Tussauds e Shake Shack

Eu já falei muito de Disney nesse blog, contando vários detalhes dos parques e atrações. Mas a verdade é que sempre parece que há algo que ainda falta dizer! Durante o meu programa de intercâmbio, eu fiz um passeio que não tinha feito em nenhuma outra vez que estive na cidade, que foi visitar a Orlando Eye e o museu Madame Tussauds.

O lugar na verdade se chama I-360 e é um complexo de entretenimento fora dos parques. Ele fica na famosa rua International Drive e conta com três atrações: a roda gigante Orlando Eye, o museu de cera Madame Tussauds e o aquário SEA LIFE Orlando. Os ingressos são vendidos separadamente ou em conjunto. Nós optamos por visitar somente a roda gigante e o museu de cera e o ingresso custou por volta de 30 dólares.

A Orlando Eye tem 122 metros de altura, ou seja, o passeio rende uma boa vista da cidade. Nós fomos à noite e a vista foi linda, mas eu recomendo ir de dia porque acredito que dê pra ver mais coisa.

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Já o museu de cera vale a visita em qualquer horário! A atração é muito divertida e tem celebridades do mundo todo — inclusive o Neymar! #ÉTois #ChegandoComOsRefri

Lá perto também fica o Shake Shack, lanchonete que é sucesso em Nova York e que recentemente abriu em Orlando. Eu já tinha escutado falar muito sobre os hambúrgueres de lá então as expectativas estavam bem altas. E olha, eu não me decepcionei nadinha! O sanduíche é de-li-ci-o-so (o molho é um show a parte) e as batatas em formato de ondinha foram um sonho realizado. Pra completar eu pedi também um milkshake, que estava excelente.

O atendimento também foi de primeira e a decoração me encantou demais! Quanto ao preço, no meu caso ficou por volta de 20 e poucos dólares, que valeram totalmente à pena. Pra mim é 10/10.

No fim das contas o passeio vale muito à pena porque é diferente de todo o resto em Orlando. Separe um momento da viagem para conhecer essas atrações que eu garanto que você não vai se arrepender! Beijos e até a próxima :)

Vida de Custodial

Como eu expliquei aqui, cada cast member tem a sua role, ou seja, sua função no parque. A minha foi Custodial e hoje vou falar um pouquinho dela e de todos os prós e contras.

Custodial entrou na minha vida por meio da minha amiga que fez o programa no ano anterior. Lembro perfeitamente de quando ela me contou que trabalharia na Disney limpando o parque. Minha reação foi imediata: eu ri. Depois ela me explicou os prós e os contras e, veja só no que deu, no ano seguinte lá estava eu colocando Custodial como minha primeira opção. E cara, que bom que eu coloquei! Apesar de 90% dos cast members dizerem que suas roles são as melhores, hoje eu vejo que nenhuma outra seria tão perfeita pra mim.

O trabalho dos custodians é simples: você precisa manter a limpeza do parque (ou resorts, mas eu falo mais sobre parque porque foi onde eu trabalhei). Perceba que eu disse manter e não limpar! Isso acontece porque todos os dias, durante a madrugada, os parques recebem uma limpeza mais pesada pelo pessoal chamado de “third shift”. O serviço dos custodians, então, é só fazer com que tudo continue limpo enquanto o parque ainda está aberto.

O nosso trabalho é dividido em shifts (turnos) de banheiros e de ruas (restrooms e streets).

Em shifts de banheiro, somos responsáveis por mantê-lo em ordem. Isso significa repor papel e sabão, secar pias, varrer papel do chão, tirar lixos, etc. Significa também limpar caso aconteça algum acidente mais sério, como vaso transbordando, vaso entupido de cocô e muito mais. Não é sempre, mas acontece, então esteja preparado pra lidar com isso.

Quando caímos em shifts de rua, somos responsáveis por tirar o lixo das lixeiras e atender a qualquer chamado de limpeza. Alguém vomitou num brinquedo mais radical? Custodial vai limpar. Derrubaram picolé no meio da rua? Custodial vai limpar. Uma criança fez xixi de tanta emoção ao ver seu personagem preferido? Custodial vai limpar. Alguém caiu e sujou o chão todinho de sangue? Adivinha só?! Custodial vai limpar. Como eu disse acima, são coisas que não acontecem o tempo todo, mas que você deve estar preparado para lidar.

Além dessas duas divisões, existem também as de horário e de local. Os parques são divididos por áreas e cada custodial fica responsável por uma ou mais. Em shifts de rua, você cuida das lixeiras e de tudo que acontece naquela área (inclusive de coisas dentro das atrações). Já em shifts de banheiro, você cuida de um ou mais banheiros dali. Com relação aos horários, os custodians são divididos em openers, mid e closers, ou seja, são responsáveis por abrir, “manter” ou fechar aquela área.

Eu costumo dizer que o trabalho de Custodial é basicamente sorte. Isso acontece porque, diferentemente das outras roles, tudo é extremamente relativo. Depende da área que você vai cair e depende especialmente do que vai acontecer no parque naquele dia. Você pode cair num banheiro completamente vazio ou em um que está sempre com fila na porta. Você pode ser chamado no mesmo dia pra limpar vários vômitos (famigerado “Code V”) ou passar todo o programa sem ter limpado nenhum. Eu conheço gente que nunca limpou nenhum code (vômito, xixi, cocô ou sangue) e conheço gente que na primeira semana teve que limpar uma explosão de cocô em um banheiro. É tudo questão de sorte.

O que eu posso te garantir é que, sendo Custodial, você vai ter muita liberdade e muita guest interaction. Esses são, sem dúvidas, os maiores prós dessa role e os que me fizeram colocá-la como primeira opção. Você é responsável por manter a limpeza do parque, certo? Isso significa que até a lixeira encher ou até seu banheiro precisar ser checado de novo, você é dono do seu horário e livre pra andar pela sua área. Sua obrigação nesse tempo é varrer pequenas sujeiras do parque, mas também dar informações e conversar com os visitantes, já que, por estarmos sempre nas ruas, os custodians são um dos contatos mais imediatos dos guests com um Cast Member. Você deve informar, conversar, brincar, trocar pins e muito mais – coisa que rende várias histórias pra você trazer pra casa.

Outro ponto positivo de ser Custodial é que dificilmente você vai ter uma experiência negativa com um guest. É claro que existem pessoas ruins em todos os lugares, mas, diferentemente de outras posições, em que as pessoas podem não te obedecer e querer discutir, como Custodial raramente você vai precisar adotar uma postura mais agressiva com alguém. O que acontecia comigo na maioria das vezes era justamente o contrário: as pessoas agradeciam e elogiavam o trabalho que eu estava fazendo.

Pra completar, os custodians geralmente recebem bastante horas e assim conseguem fazer bastante dinheiro. Nós também não temos problema em doar e pegar shifts em outros lugares (ainda que eu só tenha trabalhado no DHS). Se seu objetivo é esse, fica ainda mais fácil juntar uma grana.

O ponto negativo dessa role é um só: lidar com coisas “nojentas”. Se você for uma pessoa bastante fresca, eu não te indico ser Custodial, porque você vai sentir nojo. Mas se você acha que dá conta ou se tem uma pequena dúvida, vá em frente. Eu te garanto: o trabalho é bem mais leve do que parece. Pra ter uma noção, a Disney usa um produto pra limpar Code V’s em locais externos que é só jogar em cima que o vômito vira uma espécie de serragem. Daí é só varrer e pronto. Acredita em mim, não é tão ruim quanto parece.

O meu local de trabalho foi o Hollywood Studios e eu não poderia ter amado mais. Sempre foi um dos meus parques preferidos como guest, mas como cast member foi ótimo porque ele não é nem muito cheio e nem muito grande. No meu ano muitas áreas e atrações estavam fechadas ou reformando, então facilitou bastante na hora de decorar e aprender tudo.

Além disso, diferente de alguns outros parques, como Custodial no DHS podemos cair em qualquer área. Isso é maravilhoso porque nos permite conhecer e trabalhar no parque todo. Um dos lugares em que podemos trabalhar no Hollywood Studios é no Fantasmic, o show noturno de fogos e projeções. É definitivamente o melhor shift de todos porque você tem pouquíssima coisa pra fazer e ainda pode assistir o espetáculo todinho. Cá entre nós, confesso que chorei de emoção algumas vezes assistindo, durante o shift mesmo.

Se ainda não te convenci, sabia que o Hollywood é o único lugar em que somos chamados de showkeepers, ou seja, os responsáveis por manter o show!

Ser Custodial foi uma experiência maravilhosa. É claro que nem tudo são flores e bate aquele desespero quando o vaso transborda, o banheiro não para de chegar gente ou quando seus líderes são bem insuportáveis. Mas foi uma experiência muito enriquecedora pessoalmente e profissionalmente, porque tive ainda mais certeza de que qualquer trabalho é trabalho e ninguém é inferior por desempenhar determinada função. Eu já sabia disso, mas viver na pele é um choque de realidade muito grande que eu definitivamente recomendo a todos. De verdade, você volta outra pessoa.

Fora isso, ser Custodial ainda me proporcionou muitas amizades. Pelo menos no nosso programa, por não sermos muitos, fomos com certeza a role mais unida. 

E claro, a mais miguézera <3

ICP: Depois

Bom, eu voltei tem pouco tempo mas já posso dizer que a vida depois do ICP é díficil – mais difícil que acordar 5h da manhã pra um shift de 14h. Apesar de toda a saudade que você sente de casa, voltar dói. Isso não significa de maneira alguma que você não sentiu falta da sua família e amigos, mas no ICP você vive momentos muito intensos e completamente diferentes da sua vida no Brasil, então ter que voltar pra sua rotina é complicado e muitas vezes doloroso. Vai doer rever as fotos e vídeos, escutar as músicas que você escutava por lá, contar uma história engraçada pra alguém e até ver Mickeys espalhados por todo lugar. Minha dica? Esteja preparado.

O visto de trabalho para o programa te dá direito ao Grace Period, que são 30 dias de “férias” em que você pode viajar para qualquer lugar nos Estados Unidos. Viajei pra Nova York após o fim do meu programa e isso facilitou bastante a minha despedida do ICP. Passei uma semana na cidade e foi uma ótima maneira de finalizar o meu programa.

De volta ao Brasil, sinto imensa gratidão e carinho por cada momento e pessoa que passou pela minha vida nesses últimos meses. Não sinto vontade de fazer outro programa da Disney (pelo menos não por enquanto), mas carrego a experiência no meu coração. Os momentos de cansaço e tristeza ficam muito pequenos comparados a todas as alegrias. No fim, só o que ficam são as boas memórias. E, claro, o cartão de memória lotado.

“Goodbye may seem forever
Farewell is like the end
But in my heart is a memory
And there you’ll always be.”

ICP: Durante

Eu cheguei na Disney no dia 28 de novembro mais feliz que não sei o que. Essa era minha quarta vez em Orlando mas estar lá é sempre um sonho e sempre a mesma alegria. Dessa vez, porém, conseguia ser ainda melhor.

Cheguei no Vista Way, condomínio que era minha primeira opção, e recebi a chave do meu apartamento. O 2202 seria minha casinha daquele dia até 2 de fevereiro e eu dividiria ela com mais cinco brasileiras, de vários cantos do país. Já adianto que tive muita sorte de cair com meninas incríveis, que não foram apenas colegas de quarto durante o programa, mas sim a minha família do ICP e meu pedacinho de casa nos Estados Unidos.

Os primeiros dias são os mais livres do programa, então já deixo a dica: aproveite para curtir. Em seguida vêm vários dias de treinamento, onde aprendemos valores, tradições, regras e tudo o mais que faz a Disney funcionar como empresa. Algumas aulas são bem chatas e cansativas, mas confesso que gostei muito de ver de perto como tudo é feito para que o resultado chegue da forma que chega aos clientes. 

Depois disso, finalmente chegou o dia de colocar a mão na massa. Meu trabalho foi como Custodial no Hollywood Studios (vou fazer um post mais detalhado sobre a minha role depois), então tive três dias de treinamento, em que nos ensinaram na prática o trabalho. Nos explicaram o que cada produto químico fazia e andamos por todos os banheiros e lixeiras do parque. No último dia de treinamento fizemos um prova escrita e uma prática e, voilà, já poderíamos ser custodians!

Os primeiros dias são os piores porque você não sabe muito bem o que está fazendo. Faz tudo meio com medo, responde errado pergunta de guest, faz umas cagadas ou outras e assim vai. Eu lembro perfeitamente que nos primeiros dias estava todo mundo meio desesperado. Minhas roomies não estavam gostando muito do trabalho e, em uma das nossas muitas conversas de madrugada, eu falei: “gente, alguma coisa acontece durante esse programa. Porque se tá todo mundo achando ruim no começo, mas no final vai todo mundo embora triste e com saudade, é porque alguma coisa acontece no meio”. E eu estava certa, acontece mesmo. O tempo vai passando e você pega cada vez mais a manha, fazendo o trabalho de maneira mais automática.

Honestamente, eu considero o trabalho de Custodial em si bem simples. Não precisa de grandes habilidades pra fazer, o problema é só pegar o jeito. O que é puxado na minha opinião é a quantidade de horas trabalhadas. No Hollywood estávamos recebendo cerca de 50 a 60 horas por semana, divididos em turnos muito longos. Em uma das semanas cheguei a receber 15 horas por dia, seguidos de dias de 14h, 13h e 12h em sequência. Isso aconteceu mais de uma vez e cansava muito, pois andávamos demais durante o trabalho e só tínhamos tempo de ir pra casa dormir. Prejudicava também a saúde, pois trabalhávamos em dias de calor, frio, chuva e até tornado (!).

Para quem quer fazer o programa, tenha bem claro em mente que não vai ser fácil. Você vai ficar em pé muitas horas, vai aguentar líder e coordenador chato, guest que enche o saco e muito mais. Vai passar frio e calor, vai se perguntar o que está fazendo ali e vai querer ir embora. Vai passar o Natal e o Ano Novo longe e vai sentir saudade de casa. Mas também vai aproveitar, vai fazer e receber magical moments, vai se emocionar, vai rir e se divertir. Vai valer à pena pela experiência, pelos amigos que você vai fazer e pelo crescimento pessoal que você vai ter. Não vai ser fácil mesmo, mas acredite, vai valer à pena.

Um dos maiores benefícios do programa é a entrada livre em todos os parques. Fui neles bem menos que gostaria porque meus horários estavam um tanto quanto complicados, mas aproveitei demais cada dia livre. É simplesmente maravilhoso poder acordar e a maior preocupação do dia ser decidir em qual parque que você vai.

O ICP, aliás, é maravilhoso por muitas razões. Você aprende a se virar sozinho, pratica seu inglês, ganha dinheiro e convive com gente de vários países e culturas. Você aprende a enfrentar situações muito diversas e a esquecer qualquer adversidade da sua vida pessoal a fim de manter o sorriso no rosto ao lidar com os visitantes do parque. Você vê de perto como cada coisinha é feita para que uma empresa tão grande funcione – e o melhor, você se sente parte daquilo.

O ICP faz você voltar pra casa com muitas histórias. Seja de convivência na casa, como todas as noites em que perdemos horas de sono pra conversar ou nas muitas vezes em que eu quase pus fogo no apartamento fazendo comida. Seja nas idas aos parques, como na vez em que cantamos o funk do Pararatibum na montanha-russa dos Sete Anões ou quando fizemos um show dançando Let It Go na frente do castelo. Seja nas festas, como na vez em que vomitaram no meu pé antes mesmo de chegar ou quando roubamos a lixeira da boate pra tirar uma foto de todos os custodians juntos. Seja no trabalho, como nas milhares de vezes em que estendemos nosso break, nos escondemos dos coordinators ou inventamos apelidos para eles.

Ou mesmo quando eu estava trabalhando e um menino me mostrou vídeos de futebol na Internet, me fazendo gritar “gol!” várias vezes no meio do parque. Ou quando eu ajudei uma menina a encontrar sua família e depois ela voltou onde eu estava pra me dar um abraço. São essas histórias e esses momentos únicos, que fazem qualquer cansaço, bronca ou decepção parecerem muito pequenos.

O ICP é maravilhoso por muitas razões, mas a principal delas, são as pessoas que entram na sua vida. De vários lugares do mundo e de cada canto do Brasil, são pessoas que estão vivendo o mesmo sonho que você e que vão compartilhar dos seus momentos bons e ruins. São elas que vão te acompanhar e se divertir com você durante um day off ou chorar e te dar apoio depois de um dia cansativo de trabalho. São essas pessoas, sejam elas colegas de quarto, de trabalho, de role, de parque, de cidade ou até que você conhece no ônibus ou numa festa, que vão dividir com você as memórias da melhor experiência da sua vida.

A minha dica para todo o programa é só uma: aproveite, porque passa muito rápido. Aproveite cada dia de trabalho, cada day off, cada festa, cada compra e cada amigo. Cada shift, cada Transtar e cada magical moment. Cada Señor Frogs, cada Happy Mondays e cada Baile do Brasil. Cada ida ao Cici’s, ao Wendy’s, ao Walmart e ao Outlet. Cada parque, cada ride, cada restaurante e cada show. Aproveite tudo, mas aproveite também suas noites de sono. Não tente fazer de tudo porque nosso corpo precisa de limites também. Faça o seu programa do jeito que você achar melhor e não se obrigue a fazer algo só porque o outro fez. Viva cada momento como se fosse único, porque de fato é. Nunca mais você vai viver nada parecido.

E se prepare para a Depressão Pós-Disney (DPD pros íntimos). Porque ela bate assim que você volta…

ICP: Antes

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Dando continuidade aos posts sobre o ICP, hoje vou contar um pouquinho mais sobre o processo seletivo e tudo que acontece antes do programa começar. Se você ainda não leu, sugiro que dê uma olhadinha neste post para entender tudo que é necessário para o intercâmbio. Sem mais delongas, vamos ao “antes”!

Se você leu isso aqui, sabe que minha história com a Disney é de longa data mas minha inscrição no programa foi muito em cima da hora. Fiquei sabendo no dia anterior da palestra que aconteceria em Brasília e fui sem estar inscrita no site. Chegamos cedo para ficar na fila de espera e isso foi ótimo, porque deu tudo certo e conseguimos entrar. A palestra é bem detalhada e te explica tudo que você precisa saber sobre o programa, desde regras a todos os custos. É lá também que recebemos a data e o horário da primeira entrevista e a minha estava marcada logo para o dia seguinte.

Para mim tudo aconteceu muito rápido e eu achei que isso atrapalhou um pouco o meu desempenho. Ainda que a entrevista tenha sido muito simples, eu estava muito nervosa e senti que não me saí tão bem quanto gostaria.

As perguntas são basicamente por que você gostaria de trabalhar na Disney, qual a função que você gostaria de trabalhar e por quê, se você está disposto a viver com pessoas de culturas diferentes, etc. Minha dica para essa primeira entrevista é demonstrar interesse, flexibilidade e extroversão. A Disney preza muito por pessoas alegres e animadas, então não deixe de sorrir durante a entrevista e demonstrar o quanto aquilo é importante para você e para sua carreira. Eles querem também alguém que não tenha problemas em lidar com horários loucos e gente de todo tipo, então não esqueça de demostrar flexibilidade na hora de responder.

No meu caso, apesar de achar que fui simpática e flexível durante as perguntas, senti que o nervosismo tinha me atrapalhado muito e saí de lá com a certeza de que não tinha passado. Depois de uma longa – bem longa! – espera, a resposta finalmente saiu. Os resultados podem ser aprovado, reprovado e stand-by (nesse caso os candidatos ficam numa lista de espera para que, conforme os aprovados desistam, eles sejam chamados) e foi uma grande surpresa ver que eu tinha sido aprovada logo de cara!

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A segunda fase acontece em São Paulo e é agendada. Minha entrevista estava marcada para o dia 17/08, então no dia 16 lá estava euzinha embarcando. Logo no aeroporto, porém, meu celular caiu, quebrou a tela e parou de funcionar (vide foto acima). Na hora foi uma grande tristeza, mas depois percebi que isso foi fundamental para meu desempenho na entrevista, pois eu não tive acesso a nenhum grupo e a nenhuma informação ou pergunta feita aos outros candidatos. Isso foi ótimo porque me manteve bem mais tranquila durante toda a viagem.

A entrevista dessa vez acontece com os próprios recrutadores da Disney e é um pouco mais detalhada. As perguntas, no entanto, não diferem muito da primeira. Eles perguntam mais uma vez o motivo de você querer trabalhar na Disney, mas focam mais em qual a função que você pretende desempenhar e por quê. Minha dica para esta fase é que você deixe bem claro suas preferências, tanto de função como de local de trabalho, porque muitas vezes eles levam isso em consideração. É provável também que nessa entrevista o recrutador te coloque em uma situação-problema relacionada à função que você escolheu, então é bom já estar preparado. Novamente não esqueça de demonstrar interesse, simpatia e flexibilidade.

Como eu disse, minha entrevista foi muito tranquila. Eu obviamente estava nervosa, mas bem menos que da primeira vez. A minha recrutadora foi a Jenny, que foi muito simpática e fez a entrevista fluir naturalmente. Ela me perguntou as minhas preferências para função e o motivo (respondi Custodial, Merchandising e Character Attendant, nessa ordem). Depois ela me deu uma situação-problema de uma delas (Merchandising) e perguntou também se eu teria algum problema de cair em uma função que não fosse as que eu coloquei como primeiras opções (Quick Service). Respondi que não, claramente. É nessa entrevista também que eles verificam coisas relacionadas ao Disney Look, então ela pediu para ver as minhas tatuagens. Eu mostrei (elas ficam no braço) e ela disse que não tinha problema porque o uniforme dá a possibilidade de usar uma blusa de manga comprida por baixo.

No fim da entrevista escutei da Jenny que eu tinha feito um bom trabalho e saí de lá confiante – porém ainda ansiosa, é claro. A primeira leva de resultados demorou pouco mais de uma semana pra chegar e junto com ela veio o meu email de congratulations. Sim, eu tinha sido aprovada! E ainda para Custodial, a função que era a minha primeira opção!

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Eu comemorei, chorei, pulei e gritei. Mas depois disso veio a parte chata, de burocracias, formulários, passaporte, visto, documentos, taxas, pagamentos, etc. Parece desesperador no começo mas tudo deu certo no fim e cada documento preenchido era um pézinho a mais na Disney. Então, acredite, vale à pena. Minha dica pra essa parte é bem simples: tenha calma porque tudo se resolve no seu tempo.

O processo todo começou em maio e só terminou dia 28 de novembro, data de início do meu programa. Foi quase um ano inteiro de preparações e muita ansiedade, em que eu li muito site, blog e depoimento, além de assistir muitos vídeos imaginando como seria quando fosse a minha vez lá. A minha principal dica pra acalmar o coração, porém, é fazer amigos durante o processo. Entre nos grupos (serão muitos) de Facebook e WhatsApp, converse com quem já foi e com quem quer ir, tire dúvidas, vá em encontros, etc. É provável que esses amigos nem sejam os mesmos que vão te acompanhar durante o programa, mas são eles que vão te ajudar a resolver todo e qualquer problema antes de tudo começar.

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E acredite, está só começando.

O International College Program

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Oi! Sei que este blog leva o título de Blog Mais Abandonado do Brasil, por isso, se tem alguém lendo, deve estranhar o fato de ter posts novos. Mas é porque eu só volto quando tenho algo a dizer e hoje eu quero contar a minha experiência no ICP.

Se você ainda não o conhece, o International College Program (ICP pros íntimos) é um programa de intercâmbio para trabalhar nos parques e hotéis da Disney. Os pré-requisitos são ter mais de 18 anos, falar inglês (o necessário para se comunicar) e estar matriculado em uma faculdade entre o segundo e o último semestre num curso reconhecido pelo MEC. Precisa ter disponibilidade para iniciar e completar o programa, que geralmente acontece entre o fim de novembro e o começo de fevereiro, além de ter condições para custear passagem aérea e algumas taxas. É necessário também estar disposto a se encaixar no Disney Look, ou seja, nada de piercings e tatuagens visíveis (pode ter, só é preciso esconder durante o trabalho), cabelos chamativos, etc.

O processo se dá em uma palestra e duas entrevistas em inglês, sendo a primeira delas com o pessoal da STB, a agência de intercâmbio que media a relação dos candidatos brasileiros com a Disney, e a segunda com os próprios representantes da Disney. As palestras e as primeiras entrevistas costumam acontecer em cinco capitais do Brasil em meados de abril e maio, mas todo ano as datas e os locais costumam variar, então tem que ficar de olho no site. A segunda entrevista acontece apenas em São Paulo, em meados de agosto.

Na Disney você pode trabalhar nos parques e nos resorts em funções, chamadas de roles, como personagem (character performer), assistente do personagem (character attendant), auxiliar de limpeza (custodial) e funcionário de lojas (merchandising), lanchonetes e restaurantes (quick service) e atrações e brinquedos (attractions). Não é possível escolher sua função e local de trabalho, mas nas entrevistas o candidato tem a possibilidade de enumerar as roles de acordo com sua preferência. O salário é de no mínimo $9,50 por hora (no meu programa recebíamos $10) e a jornada de trabalho mínima são 30h semanais.

Esse foi um resumo geral porque minha intenção aqui não é informar muitos dados técnicos do programa, já que tudo isso pode ser encontrado no site da STB. Além disso, muitos outros sites, blogs e vlogs explicam passo a passo o que você precisa fazer se quer participar. Sugiro fortemente também entrar em grupos no Facebook, para tirar dúvidas e fazer amizades com o pessoal que também está tentando. E ó, já tem grupo de 2017/2018, viu!

Minha intenção com os próximos posts é contar detalhes da minha experiência, porque o ICP é um intercâmbio extremamente relativo. Tudo depende de muita coisa, então tenha já em mente que seu programa jamais vai ser igual o de outra pessoa. Mas saiba que a graça é justamente essa :)

Nos próximos posts vou dar detalhes de antes, durante e depois do programa, junto com algumas dicas pra quem também quer fazer. Portanto aguardem, hehehe. Beijosss!

PS: Duvido me acharem na foto lá em cima, hehehe.

Eu trabalhei na Disney!

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Cara, o ICP foi muito louco. Estive na Disney por dois meses e meio e posso dizer com certeza que esse foi o período mais intenso de toda a minha vida. Vivi o suficiente para anos em alguns meses, mas que passaram tão rápido quanto alguns dias. Senti emoções pra uma vida e conheci pessoas que pretendo levar pra vida. Ri, chorei, ri, chorei, ri mais um pouco e chorei mais um pouco. Trabalhei, trabalhei, trabalhei e trabalhei. Me conheci. Aprendi, e como aprendi.

Trabalhar na Disney foi uma experiência muito única. Apesar de ter sido um sonho, de maneira alguma foi perfeito e muito menos fácil. A vida infelizmente é assim, até mesmo no lugar mais mágico da terra. Os momentos ruins, porém, ficam pequenos comparados aos magical moments. Não apenas os realizados para os guests, eu quero dizer, mas sim os que nós, cast members, vivíamos todos os dias. Porque é de fato mágico poder fazer alguém sorrir, mesmo que seja com coisas pequenas, como dar um adesivo, falar um “hi princess” ou até travar uma luta de sabre de luz vs. rolo de saco de lixo. É mágico poder conversar com pessoas de todo o mundo e conhecer suas histórias. É mágico receber um abraço depois de ajudar uma menina perdida a achar sua família. E é realmente mágico saber que está participando do sonho de tanta gente.

O ICP foi incrível e voltar pro Brasil faz o coração doer numa mistura de alívio, felicidade, tristeza e muitos outros sentimentos. Dói e vai doer por um tempo, mas só porque as memórias lá criadas foram muito especiais. As lágrimas caem porque é muito difícil dizer adeus pra um lugar que te acolheu tão bem como casa, mas caem acompanhadas de sorrisos por todas as lembranças que tive a oportunidade de criar. É um mix de sentimentos que só quem viveu entende e hoje sou extremamente grata por poder sentir.

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Isso tudo começou anos atrás, com um desejo, e terminou assim de novo. Há cinco anos eu desejei voltar, trabalhando, e assim o fiz. See what a little wishing can do? Hoje eu tenho só mais um: que eu jamais esqueça o que eu vivi. Que eu nunca esqueça que se você pode sonhar, você pode SIM realizar. Tem que ter coragem, tem que ter fé, mas tem que ter principalmente confiança. Tem que acreditar. Dare to do what dreamers do.

Hoje eu sinto orgulho por saber que fui parte da história da Disney. Sinto extrema gratidão por ter tido a oportunidade de ser cast member e de poder chamar esse lugar de casa. Agradeço a cada amigo, coworker e guest que passou por mim e fez do meu programa incrível. Agradeço ao Hollywood Studios por ter sido o cenário desse meu filme. E agradeço à Disney, é claro, por me ensinar tanto em tão pouco tempo e por ter feito desse intercâmbio a melhor experiência da minha vida.

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Dei tchau pra um mundo de sonhos e desejos, mas com o coração pronto pra sonhar mais um pouco. Porque wishes can come true, if you believe in them with all your heart. And the best part is you’ll never run out of wishes.