ICP: Durante

Eu cheguei na Disney no dia 28 de novembro mais feliz que não sei o que. Essa era minha quarta vez em Orlando mas estar lá é sempre um sonho e sempre a mesma alegria. Dessa vez, porém, conseguia ser ainda melhor.

Cheguei no Vista Way, condomínio que era minha primeira opção, e recebi a chave do meu apartamento. O 2202 seria minha casinha daquele dia até 2 de fevereiro e eu dividiria ela com mais cinco brasileiras, de vários cantos do país. Já adianto que tive muita sorte de cair com meninas incríveis, que não foram apenas colegas de quarto durante o programa, mas sim a minha família do ICP e meu pedacinho de casa nos Estados Unidos.

Os primeiros dias são os mais livres do programa, então já deixo a dica: aproveite para curtir. Em seguida vêm vários dias de treinamento, onde aprendemos valores, tradições, regras e tudo o mais que faz a Disney funcionar como empresa. Algumas aulas são bem chatas e cansativas, mas confesso que gostei muito de ver de perto como tudo é feito para que o resultado chegue da forma que chega aos clientes. 

Depois disso, finalmente chegou o dia de colocar a mão na massa. Meu trabalho foi como Custodial no Hollywood Studios (vou fazer um post mais detalhado sobre a minha role depois), então tive três dias de treinamento, em que nos ensinaram na prática o trabalho. Nos explicaram o que cada produto químico fazia e andamos por todos os banheiros e lixeiras do parque. No último dia de treinamento fizemos um prova escrita e uma prática e, voilà, já poderíamos ser custodians!

Os primeiros dias são os piores porque você não sabe muito bem o que está fazendo. Faz tudo meio com medo, responde errado pergunta de guest, faz umas cagadas ou outras e assim vai. Eu lembro perfeitamente que nos primeiros dias estava todo mundo meio desesperado. Minhas roomies não estavam gostando muito do trabalho e, em uma das nossas muitas conversas de madrugada, eu falei: “gente, alguma coisa acontece durante esse programa. Porque se tá todo mundo achando ruim no começo, mas no final vai todo mundo embora triste e com saudade, é porque alguma coisa acontece no meio”. E eu estava certa, acontece mesmo. O tempo vai passando e você pega cada vez mais a manha, fazendo o trabalho de maneira mais automática.

Honestamente, eu considero o trabalho de Custodial em si bem simples. Não precisa de grandes habilidades pra fazer, o problema é só pegar o jeito. O que é puxado na minha opinião é a quantidade de horas trabalhadas. No Hollywood estávamos recebendo cerca de 50 a 60 horas por semana, divididos em turnos muito longos. Em uma das semanas cheguei a receber 15 horas por dia, seguidos de dias de 14h, 13h e 12h em sequência. Isso aconteceu mais de uma vez e cansava muito, pois andávamos demais durante o trabalho e só tínhamos tempo de ir pra casa dormir. Prejudicava também a saúde, pois trabalhávamos em dias de calor, frio, chuva e até tornado (!).

Para quem quer fazer o programa, tenha bem claro em mente que não vai ser fácil. Você vai ficar em pé muitas horas, vai aguentar líder e coordenador chato, guest que enche o saco e muito mais. Vai passar frio e calor, vai se perguntar o que está fazendo ali e vai querer ir embora. Vai passar o Natal e o Ano Novo longe e vai sentir saudade de casa. Mas também vai aproveitar, vai fazer e receber magical moments, vai se emocionar, vai rir e se divertir. Vai valer à pena pela experiência, pelos amigos que você vai fazer e pelo crescimento pessoal que você vai ter. Não vai ser fácil mesmo, mas acredite, vai valer à pena.

Um dos maiores benefícios do programa é a entrada livre em todos os parques. Fui neles bem menos que gostaria porque meus horários estavam um tanto quanto complicados, mas aproveitei demais cada dia livre. É simplesmente maravilhoso poder acordar e a maior preocupação do dia ser decidir em qual parque que você vai.

O ICP, aliás, é maravilhoso por muitas razões. Você aprende a se virar sozinho, pratica seu inglês, ganha dinheiro e convive com gente de vários países e culturas. Você aprende a enfrentar situações muito diversas e a esquecer qualquer adversidade da sua vida pessoal a fim de manter o sorriso no rosto ao lidar com os visitantes do parque. Você vê de perto como cada coisinha é feita para que uma empresa tão grande funcione – e o melhor, você se sente parte daquilo.

O ICP faz você voltar pra casa com muitas histórias. Seja de convivência na casa, como todas as noites em que perdemos horas de sono pra conversar ou nas muitas vezes em que eu quase pus fogo no apartamento fazendo comida. Seja nas idas aos parques, como na vez em que cantamos o funk do Pararatibum na montanha-russa dos Sete Anões ou quando fizemos um show dançando Let It Go na frente do castelo. Seja nas festas, como na vez em que vomitaram no meu pé antes mesmo de chegar ou quando roubamos a lixeira da boate pra tirar uma foto de todos os custodians juntos. Seja no trabalho, como nas milhares de vezes em que estendemos nosso break, nos escondemos dos coordinators ou inventamos apelidos para eles.

Ou mesmo quando eu estava trabalhando e um menino me mostrou vídeos de futebol na Internet, me fazendo gritar “gol!” várias vezes no meio do parque. Ou quando eu ajudei uma menina a encontrar sua família e depois ela voltou onde eu estava pra me dar um abraço. São essas histórias e esses momentos únicos, que fazem qualquer cansaço, bronca ou decepção parecerem muito pequenos.

O ICP é maravilhoso por muitas razões, mas a principal delas, são as pessoas que entram na sua vida. De vários lugares do mundo e de cada canto do Brasil, são pessoas que estão vivendo o mesmo sonho que você e que vão compartilhar dos seus momentos bons e ruins. São elas que vão te acompanhar e se divertir com você durante um day off ou chorar e te dar apoio depois de um dia cansativo de trabalho. São essas pessoas, sejam elas colegas de quarto, de trabalho, de role, de parque, de cidade ou até que você conhece no ônibus ou numa festa, que vão dividir com você as memórias da melhor experiência da sua vida.

A minha dica para todo o programa é só uma: aproveite, porque passa muito rápido. Aproveite cada dia de trabalho, cada day off, cada festa, cada compra e cada amigo. Cada shift, cada Transtar e cada magical moment. Cada Señor Frogs, cada Happy Mondays e cada Baile do Brasil. Cada ida ao Cici’s, ao Wendy’s, ao Walmart e ao Outlet. Cada parque, cada ride, cada restaurante e cada show. Aproveite tudo, mas aproveite também suas noites de sono. Não tente fazer de tudo porque nosso corpo precisa de limites também. Faça o seu programa do jeito que você achar melhor e não se obrigue a fazer algo só porque o outro fez. Viva cada momento como se fosse único, porque de fato é. Nunca mais você vai viver nada parecido.

E se prepare para a Depressão Pós-Disney (DPD pros íntimos). Porque ela bate assim que você volta…

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ICP: ANTES

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Dando continuidade aos posts sobre o ICP, hoje vou contar um pouquinho mais sobre o processo seletivo e tudo que acontece antes do programa começar. Se você ainda não leu, sugiro que dê uma olhadinha neste post para entender tudo que é necessário para o intercâmbio. Sem mais delongas, vamos ao “antes”!

Se você leu isso aqui, sabe que minha história com a Disney é de longa data mas minha inscrição no programa foi muito em cima da hora. Fiquei sabendo no dia anterior da palestra que aconteceria em Brasília e fui sem estar inscrita no site. Chegamos cedo para ficar na fila de espera e isso foi ótimo, porque deu tudo certo e conseguimos entrar. A palestra é bem detalhada e te explica tudo que você precisa saber sobre o programa, desde regras a todos os custos. É lá também que recebemos a data e o horário da primeira entrevista e a minha estava marcada logo para o dia seguinte.

Para mim tudo aconteceu muito rápido e eu achei que isso atrapalhou um pouco o meu desempenho. Ainda que a entrevista tenha sido muito simples, eu estava muito nervosa e senti que não me saí tão bem quanto gostaria.

As perguntas são basicamente por que você gostaria de trabalhar na Disney, qual a função que você gostaria de trabalhar e por quê, se você está disposto a viver com pessoas de culturas diferentes, etc. Minha dica para essa primeira entrevista é demonstrar interesse, flexibilidade e extroversão. A Disney preza muito por pessoas alegres e animadas, então não deixe de sorrir durante a entrevista e demonstrar o quanto aquilo é importante para você e para sua carreira. Eles querem também alguém que não tenha problemas em lidar com horários loucos e gente de todo tipo, então não esqueça de demostrar flexibilidade na hora de responder.

No meu caso, apesar de achar que fui simpática e flexível durante as perguntas, senti que o nervosismo tinha me atrapalhado muito e saí de lá com a certeza de que não tinha passado. Depois de uma longa – bem longa! – espera, a resposta finalmente saiu. Os resultados podem ser aprovado, reprovado e stand-by (nesse caso os candidatos ficam numa lista de espera para que, conforme os aprovados desistam, eles sejam chamados) e foi uma grande surpresa ver que eu tinha sido aprovada logo de cara!

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A segunda fase acontece em São Paulo e é agendada. Minha entrevista estava marcada para o dia 17/08, então no dia 16 lá estava euzinha embarcando. Logo no aeroporto, porém, meu celular caiu, quebrou a tela e parou de funcionar (vide foto acima). Na hora foi uma grande tristeza, mas depois percebi que isso foi fundamental para meu desempenho na entrevista, pois eu não tive acesso a nenhum grupo e a nenhuma informação ou pergunta feita aos outros candidatos. Isso foi ótimo porque me manteve bem mais tranquila durante toda a viagem.

A entrevista dessa vez acontece com os próprios recrutadores da Disney e é um pouco mais detalhada. As perguntas, no entanto, não diferem muito da primeira. Eles perguntam mais uma vez o motivo de você querer trabalhar na Disney, mas focam mais em qual a função que você pretende desempenhar e por quê. Minha dica para esta fase é que você deixe bem claro suas preferências, tanto de função como de local de trabalho, porque muitas vezes eles levam isso em consideração. É provável também que nessa entrevista o recrutador te coloque em uma situação-problema relacionada à função que você escolheu, então é bom já estar preparado. Novamente não esqueça de demonstrar interesse, simpatia e flexibilidade.

Como eu disse, minha entrevista foi muito tranquila. Eu obviamente estava nervosa, mas bem menos que da primeira vez. A minha recrutadora foi a Jenny, que foi muito simpática e fez a entrevista fluir naturalmente. Ela me perguntou as minhas preferências para função e o motivo (respondi Custodial, Merchandising e Character Attendant, nessa ordem). Depois ela me deu uma situação-problema de uma delas (Merchandising) e perguntou também se eu teria algum problema de cair em uma função que não fosse as que eu coloquei como primeiras opções (Quick Service). Respondi que não, claramente. É nessa entrevista também que eles verificam coisas relacionadas ao Disney Look, então ela pediu para ver as minhas tatuagens. Eu mostrei (elas ficam no braço) e ela disse que não tinha problema porque o uniforme dá a possibilidade de usar uma blusa de manga comprida por baixo.

No fim da entrevista escutei da Jenny que eu tinha feito um bom trabalho e saí de lá confiante – porém ainda ansiosa, é claro. A primeira leva de resultados demorou pouco mais de uma semana pra chegar e junto com ela veio o meu email de congratulations. Sim, eu tinha sido aprovada! E ainda para Custodial, a função que era a minha primeira opção!

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Eu comemorei, chorei, pulei e gritei. Mas depois disso veio a parte chata, de burocracias, formulários, passaporte, visto, documentos, taxas, pagamentos, etc. Parece desesperador no começo mas tudo deu certo no fim e cada documento preenchido era um pézinho a mais na Disney. Então, acredite, vale à pena. Minha dica pra essa parte é bem simples: tenha calma porque tudo se resolve no seu tempo.

O processo todo começou em maio e só terminou dia 28 de novembro, data de início do meu programa. Foi quase um ano inteiro de preparações e muita ansiedade, em que eu li muito site, blog e depoimento, além de assistir muitos vídeos imaginando como seria quando fosse a minha vez lá. A minha principal dica pra acalmar o coração, porém, é fazer amigos durante o processo. Entre nos grupos (serão muitos) de Facebook e WhatsApp, converse com quem já foi e com quem quer ir, tire dúvidas, vá em encontros, etc. É provável que esses amigos nem sejam os mesmos que vão te acompanhar durante o programa, mas são eles que vão te ajudar a resolver todo e qualquer problema antes de tudo começar.

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E acredite, está só começando.

O INTERNATIONAL COLLEGE PROGRAM

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Oi! Sei que este blog leva o título de Blog Mais Abandonado do Brasil, por isso, se tem alguém lendo, deve estranhar o fato de ter posts novos. Mas é porque eu só volto quando tenho algo a dizer e hoje eu quero contar a minha experiência no ICP.

Se você ainda não o conhece, o International College Program (ICP pros íntimos) é um programa de intercâmbio para trabalhar nos parques e hotéis da Disney. Os pré-requisitos são ter mais de 18 anos, falar inglês (o necessário para se comunicar) e estar matriculado em uma faculdade entre o segundo e o último semestre num curso reconhecido pelo MEC. Precisa ter disponibilidade para iniciar e completar o programa, que geralmente acontece entre o fim de novembro e o começo de fevereiro, além de ter condições para custear passagem aérea e algumas taxas. É necessário também estar disposto a se encaixar no Disney Look, ou seja, nada de piercings e tatuagens visíveis (pode ter, só é preciso esconder durante o trabalho), cabelos chamativos, etc.

O processo se dá em uma palestra e duas entrevistas em inglês, sendo a primeira delas com o pessoal da STB, a agência de intercâmbio que media a relação dos candidatos brasileiros com a Disney, e a segunda com os próprios representantes da Disney. As palestras e as primeiras entrevistas costumam acontecer em cinco capitais do Brasil em meados de abril e maio, mas todo ano as datas e os locais costumam variar, então tem que ficar de olho no site. A segunda entrevista acontece apenas em São Paulo, em meados de agosto.

Na Disney você pode trabalhar nos parques e nos resorts em funções, chamadas de roles, como personagem (character performer), assistente do personagem (character attendant), auxiliar de limpeza (custodial) e funcionário de lojas (merchandising), lanchonetes e restaurantes (quick service) e atrações e brinquedos (attractions). Não é possível escolher sua função e local de trabalho, mas nas entrevistas o candidato tem a possibilidade de enumerar as roles de acordo com sua preferência. O salário é de no mínimo $9,50 por hora (no meu programa recebíamos $10) e a jornada de trabalho mínima são 30h semanais.

Esse foi um resumo geral porque minha intenção aqui não é informar muitos dados técnicos do programa, já que tudo isso pode ser encontrado no site da STB. Além disso, muitos outros sites, blogs e vlogs explicam passo a passo o que você precisa fazer se quer participar. Sugiro fortemente também entrar em grupos no Facebook, para tirar dúvidas e fazer amizades com o pessoal que também está tentando. E ó, já tem grupo de 2017/2018, viu!

Minha intenção com os próximos posts é contar detalhes da minha experiência, porque o ICP é um intercâmbio extremamente relativo. Tudo depende de muita coisa, então tenha já em mente que seu programa jamais vai ser igual o de outra pessoa. Mas saiba que a graça é justamente essa :)

Nos próximos posts vou dar detalhes de antes, durante e depois do programa, junto com algumas dicas pra quem também quer fazer. Portanto aguardem, hehehe. Beijosss!

PS: Duvido me acharem na foto lá em cima, hehehe.

EU TRABALHEI NA DISNEY!

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Cara, o ICP foi muito louco. Estive na Disney por dois meses e meio e posso dizer com certeza que esse foi o período mais intenso de toda a minha vida. Vivi o suficiente para anos em alguns meses, mas que passaram tão rápido quanto alguns dias. Senti emoções pra uma vida e conheci pessoas que pretendo levar pra vida. Ri, chorei, ri, chorei, ri mais um pouco e chorei mais um pouco. Trabalhei, trabalhei, trabalhei e trabalhei. Me conheci. Aprendi, e como aprendi.

Trabalhar na Disney foi uma experiência muito única. Apesar de ter sido um sonho, de maneira alguma foi perfeito e muito menos fácil. A vida infelizmente é assim, até mesmo no lugar mais mágico da terra. Os momentos ruins, porém, ficam pequenos comparados aos magical moments. Não apenas os realizados para os guests, eu quero dizer, mas sim os que nós, cast members, vivíamos todos os dias. Porque é de fato mágico poder fazer alguém sorrir, mesmo que seja com coisas pequenas, como dar um adesivo, falar um “hi princess” ou até travar uma luta de sabre de luz vs. rolo de saco de lixo. É mágico poder conversar com pessoas de todo o mundo e conhecer suas histórias. É mágico receber um abraço depois de ajudar uma menina perdida a achar sua família. E é realmente mágico saber que está participando do sonho de tanta gente.

O ICP foi incrível e voltar pro Brasil faz o coração doer numa mistura de alívio, felicidade, tristeza e muitos outros sentimentos. Dói e vai doer por um tempo, mas só porque as memórias lá criadas foram muito especiais. As lágrimas caem porque é muito difícil dizer adeus pra um lugar que te acolheu tão bem como casa, mas caem acompanhadas de sorrisos por todas as lembranças que tive a oportunidade de criar. É um mix de sentimentos que só quem viveu entende e hoje sou extremamente grata por poder sentir.

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Isso tudo começou anos atrás, com um desejo, e terminou assim de novo. Há cinco anos eu desejei voltar, trabalhando, e assim o fiz. See what a little wishing can do? Hoje eu tenho só mais um: que eu jamais esqueça o que eu vivi. Que eu nunca esqueça que se você pode sonhar, você pode SIM realizar. Tem que ter coragem, tem que ter fé, mas tem que ter principalmente confiança. Tem que acreditar. Dare to do what dreamers do.

Hoje eu sinto orgulho por saber que fui parte da história da Disney. Sinto extrema gratidão por ter tido a oportunidade de ser cast member e de poder chamar esse lugar de casa. Agradeço a cada amigo, coworker e guest que passou por mim e fez do meu programa incrível. Agradeço ao Hollywood Studios por ter sido o cenário desse meu filme. E agradeço à Disney, é claro, por me ensinar tanto em tão pouco tempo e por ter feito desse intercâmbio a melhor experiência da minha vida.

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Dei tchau pra um mundo de sonhos e desejos, mas com o coração pronto pra sonhar mais um pouco. Porque wishes can come true, if you believe in them with all your heart. And the best part is you’ll never run out of wishes.

EU VOU TRABALHAR NA DISNEY!

Esse dia eu me lembro muito bem. Eu tinha acabado de começar a fazer inglês e o professor perguntou por que queríamos aprender a língua. Todo mundo na sala disse coisas como se comunicar com pessoas do mundo todo e melhorar as habilidades profissionais. Minha resposta foi simples. “Pra ir pra Disney!”, eu disse rindo. Eu estava brincando mas estava falando sério. 

A Disney sempre foi um sonho, sabe? Ela sempre esteve presente em minha vida por meio de filmes, desenhos e personagens, mas era também mais que isso. Conhecer os parques em Orlando, cheios de atrações e shows, era, sem exagero, o maior sonho da minha vida (lembre-se que estamos falando de uma vida com poucos anos de idade).

Até que o dia chegou. O presente que eu não tive nenhuma dúvida na hora de escolher: comemorar meus 15 anos na Disney. A felicidade não cabia em mim e a ansiedade estava transbordando. Em janeiro de 2011, com meus quase-15-anos, lá estava eu, diante do castelo, do Mickey e dos fogos.

O problema de criar expectativa demais é que quase sempre você se decepciona. Quase sempre. Dessa vez não foi assim. Nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar tudo aquilo que vivi. Lá eu pude perceber que a Disney é aquilo que promete ser: mágica. É um lugar diferente de qualquer outro, onde parece que nada de ruim vai acontecer e você é especial simplesmente por estar ali. E acredite: você de fato é. Eu fui chamada de princesa várias vezes pelas pessoas que trabalhavam ali e recebi de volta uma pipoca que derrubei no chão sem ter que pagar nem mais um centavo. Tudo ali é feito pra que você se sinta bem e, eu juro, nunca me senti tão feliz como naquele lugar.

Agora imagine só, viver um sonho desse e ter que voltar pra realidade? Não dá, né. Eu não queria voltar, queria ficar lá pra sempre. Falei que queria morar, trabalhar, limpar o chão, viver de mendiga, o que fosse. Eu só não queria ir embora.

Chegou então o último dia dessa viagem. Lembro que estávamos no Hollywood Studios, assistindo o show à noite na beira do lago. Esse parque se tornou meu preferido por conta da temática de cinema e as atrações super divertidas. No dia seguinte iríamos pra Miami e, apesar de ainda continuar a viagem, não seria a mesma coisa porque não era a Disney. Eu não queria ir embora. Eu não sabia quando iria voltar ali, se é que um dia voltaria. Eu e minhas primas estávamos chorando e minha mãe disse: “é um sonho sim, mas como um sonho, temos que voltar pra realidade”. Ela estava filmando a cena – estava engraçado – e me mandou ler o que tinha escrito na pulseira que tinha comprado. “Nada é impossível se você acreditar”. Ela disse: “você acredita que volta?” e, claro, eu acreditei.

Acreditei tanto que voltei mais duas vezes. Uma em 2013 e outra em 2015. Foi novamente um sonho, tão emocionante como da primeira vez, mas maravilhoso de diferentes maneiras. Agora eu já conhecia a maioria dos lugares e nem tudo era novidade, mas em momento algum aquilo deixava de ser incrível. Os fogos do castelo me faziam chorar da mesma maneira que fizeram da primeira vez.

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Na última dessas viagens, tive a oportunidade de conhecer brasileiros que estavam trabalhando por lá. Interessada, perguntei como eles chegaram ali e esse foi o primeiro contato que tive com o ICP, o programa de trabalho na Disney. Eles estavam lá por apenas alguns meses e morando e trabalhando nos parques, do jeito que eu tinha sonhado. Dizer que me interessei é pouco, né? Procurei mais sobre e descobri que o programa só era destinado a estudantes que faziam cursos de quatro anos de duração e, naquele exato ano, eu tinha trocado meu curso de Jornalismo pelo de Design Gráfico, que durava apenas dois anos.

Tudo bem, paciência.

Acontece que naquele ano duas amigas se inscreveram para o programa. Elas tinham assistido à primeira palestra do processo seletivo e disseram que não era necessário o curso de quatro anos. Era a minha chance? Era. Mas por algum motivo não deu pra ir e eu nem cheguei a me inscrever. Essas amigas passaram e foram. Voltaram dizendo ser a melhor experiência da vida delas, afinal de contas, morar em outro país, trabalhando e ganhando dinheiro, e ainda por cima na Disney? Como não seria incrível?!

Alguns meses passaram e minha prima me avisou que o processo seletivo daquele ano tinha começado. A palestra aconteceria no dia seguinte. Honestamente não fiquei tão animada porque talvez tivesse um compromisso na mesma data em que o programa aconteceria. Mas como ainda não estava confirmado, dei chance ao destino e disse: “por que não?”.

Foi então que começou uma montanha-russa de emoções. Assisti à palestra sem expectativas mas fui pra entrevista no dia seguinte extremamente nervosa. Só percebi ali o quanto queria que desse certo. Por conta disso, não me saí tão bem quanto gostaria e fui embora apreensiva. A espera do resultado foi longa e deu tempo de sentir muita coisa. Fiquei confiante, fiquei com medo, fiquei indiferente e fiquei desesperada. No dia do resultado, tinha certeza de que não tinha passado, por isso ler na tela o “Parabéns! Você foi aprovado para a próxima etapa!” foi um baita de um choque. Foi um choque também ver que meu irmão e alguns amigos que eu tinha certeza que passariam estavam de stand-by. Em compensação, foi uma alegria ver que minha prima tinha passado também e eu não estaria lá sozinha.

Era isso, o sonho estava cada vez mais perto. A segunda fase seria em outra cidade com os entrevistadores americanos no próprio escritório da Disney. No dia 16 de agosto, um dia depois do meu aniversário, eu e minha prima estávamos indo pra São Paulo em busca da concretização desse sonho. Eu sabia que só dependia de mim e que não poderia deixar que o nervosismo atrapalhasse como da primeira vez. No aeroporto de Brasília, prestes a embarcar, deixei meu celular cair e ele quebrou a tela. Na hora eu obviamente fiquei muito triste e acreditei ser um baita azar. Agora, olhando pra trás (e com a tela já consertada), percebo que isso foi fundamental para o meu desempenho na entrevista. Eu não tive contato com ninguém que estava participando do processo além da minha prima, então não fiquei lendo sobre o comportamento de ninguém e nem perguntas feitas aos outros participantes.

A entrevista foi super tranquila. Se eu estava nervosa? Claro! Se não estivesse não seria eu. Mas a Jenny, a moça que me entrevistou, foi extremamente simpática e a conversa fluiu de maneira natural. Acredito que consegui deixar claro que a Disney era uma paixão minha e que o programa seria um sonho, ainda que uma experiência profissional. No final escutei dela um “você fez um ótimo trabalho” e saí de lá confiante de que estaria embarcando para Orlando no fim do ano para ser uma Cast Member.

A espera do resultado dessa vez não foi tão longa, mas foi tempo suficiente para me deixar muito apreensiva. Dessa vez, porém, estava confiante. E deu certo: o tão esperado e-mail de congratulations chegou e estava ali a confirmação do sonho. Sim, eu vou trabalhar na Disney.

Eu. Vou. Trabalhar. Na. Disney.

Estou escrevendo esse texto pouco mais de um mês depois desse e-mail ter chegado. A ansiedade não mudou desde esse dia, pelo contrário, só aumentou. Tenho lido, assistido e pesquisado tudo sobre o ICP, os parques e tudo do universo Disney e por isso está difícil pensar em algo que não seja os dias que viverei por lá.

Hoje, a exatos 50 dias do começo do programa, recebi a informação de que meu local de trabalho será o parque Hollywood Studios. Lembra quando eu disse que era meu parque preferido? Pois é. E adivinha o que eu vou fazer lá? Vou ser Custodial, ou seja, vou limpar o parque. Sim, exatamente o que eu tinha dito que poderia fazer sem o menor problema desde que estivesse na Disney.

Euzinha nas três vezes em que estive no Hollywood Studios

A cada dia que passa a ficha cai um pouquinho mais, mas ainda parece um sonho. Tento tomar cuidado pra não me deslumbrar demais e criar expectativas altas, porque, como eu disse, a chance de se decepcionar é grande. Eu não posso esquecer de que se trata de um intercâmbio de trabalho e eu não estarei lá a passeio. Já li relatos de muitos outros participantes e não tenho nenhuma garantia de que vai ser tudo mil maravilhas, afinal, terei que lidar com pessoas e pessoas são imprevisíveis. De qualquer forma, ter a oportunidade de trabalhar na maior empresa de entretenimento do mundo, convivendo e interagindo com pessoas de todos os cantos do planeta, é algo que me deixa muito grata e feliz.

Visitar a Disney foi um sonho muito incrível, mas acredito que trabalhar lá vai ser ainda mais. Poderei fazer parte de uma empresa que realmente busca o melhor para seus clientes e que faz com que a experiência deles com seus produtos seja a melhor que já tiveram. Eu terei a oportunidade de fazer com que as pessoas que estão ali se sintam tão especiais quanto eu me senti. Eu vou fazer parte da mágica.

O e-mail de congratulations que eu recebi não é só a confirmação do meu intercâmbio. Foi um lembrete para ter confiança em mim mesma. Foi a confirmação do que estava escrito na minha pulseira, lá naquele dia no Hollywood Studios. Nada é impossível se você acreditar.

Tô voltando, Disney!