Eu vou trabalhar na Disney!

Esse dia eu me lembro muito bem. Eu tinha acabado de começar a fazer inglês e o professor perguntou por que queríamos aprender a língua. Todo mundo na sala disse coisas como se comunicar com pessoas do mundo todo e melhorar as habilidades profissionais. Minha resposta foi simples. “Pra ir pra Disney!”, eu disse rindo. Eu estava brincando mas estava falando sério. 

A Disney sempre foi um sonho, sabe? Ela sempre esteve presente em minha vida por meio de filmes, desenhos e personagens, mas era também mais que isso. Conhecer os parques em Orlando, cheios de atrações e shows, era, sem exagero, o maior sonho da minha vida (lembre-se que estamos falando de uma vida com poucos anos de idade).

Até que o dia chegou. O presente que eu não tive nenhuma dúvida na hora de escolher: comemorar meus 15 anos na Disney. A felicidade não cabia em mim e a ansiedade estava transbordando. Em janeiro de 2011, com meus quase-15-anos, lá estava eu, diante do castelo, do Mickey e dos fogos.

O problema de criar expectativa demais é que quase sempre você se decepciona. Quase sempre. Dessa vez não foi assim. Nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar tudo aquilo que vivi. Lá eu pude perceber que a Disney é aquilo que promete ser: mágica. É um lugar diferente de qualquer outro, onde parece que nada de ruim vai acontecer e você é especial simplesmente por estar ali. E acredite: você de fato é. Eu fui chamada de princesa várias vezes pelas pessoas que trabalhavam ali e recebi de volta uma pipoca que derrubei no chão sem ter que pagar nem mais um centavo. Tudo ali é feito pra que você se sinta bem e, eu juro, nunca me senti tão feliz como naquele lugar.

Agora imagine só, viver um sonho desse e ter que voltar pra realidade? Não dá, né. Eu não queria voltar, queria ficar lá pra sempre. Falei que queria morar, trabalhar, limpar o chão, viver de mendiga, o que fosse. Eu só não queria ir embora.

Chegou então o último dia dessa viagem. Lembro que estávamos no Hollywood Studios, assistindo o show à noite na beira do lago. Esse parque se tornou meu preferido por conta da temática de cinema e as atrações super divertidas. No dia seguinte iríamos pra Miami e, apesar de ainda continuar a viagem, não seria a mesma coisa porque não era a Disney. Eu não queria ir embora. Eu não sabia quando iria voltar ali, se é que um dia voltaria. Eu e minhas primas estávamos chorando e minha mãe disse: “é um sonho sim, mas como um sonho, temos que voltar pra realidade”. Ela estava filmando a cena – estava engraçado – e me mandou ler o que tinha escrito na pulseira que tinha comprado. “Nada é impossível se você acreditar”. Ela disse: “você acredita que volta?” e, claro, eu acreditei.

Acreditei tanto que voltei mais duas vezes. Uma em 2013 e outra em 2015. Foi novamente um sonho, tão emocionante como da primeira vez, mas maravilhoso de diferentes maneiras. Agora eu já conhecia a maioria dos lugares e nem tudo era novidade, mas em momento algum aquilo deixava de ser incrível. Os fogos do castelo me faziam chorar da mesma maneira que fizeram da primeira vez.

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Na última dessas viagens, tive a oportunidade de conhecer brasileiros que estavam trabalhando por lá. Interessada, perguntei como eles chegaram ali e esse foi o primeiro contato que tive com o ICP, o programa de trabalho na Disney. Eles estavam lá por apenas alguns meses e morando e trabalhando nos parques, do jeito que eu tinha sonhado. Dizer que me interessei é pouco, né? Procurei mais sobre e descobri que o programa só era destinado a estudantes que faziam cursos de quatro anos de duração e, naquele exato ano, eu tinha trocado meu curso de Jornalismo pelo de Design Gráfico, que durava apenas dois anos.

Tudo bem, paciência.

Acontece que naquele ano duas amigas se inscreveram para o programa. Elas tinham assistido à primeira palestra do processo seletivo e disseram que não era necessário o curso de quatro anos. Era a minha chance? Era. Mas por algum motivo não deu pra ir e eu nem cheguei a me inscrever. Essas amigas passaram e foram. Voltaram dizendo ser a melhor experiência da vida delas, afinal de contas, morar em outro país, trabalhando e ganhando dinheiro, e ainda por cima na Disney? Como não seria incrível?!

Alguns meses passaram e minha prima me avisou que o processo seletivo daquele ano tinha começado. A palestra aconteceria no dia seguinte. Honestamente não fiquei tão animada porque talvez tivesse um compromisso na mesma data em que o programa aconteceria. Mas como ainda não estava confirmado, dei chance ao destino e disse: “por que não?”.

Foi então que começou uma montanha-russa de emoções. Assisti à palestra sem expectativas mas fui pra entrevista no dia seguinte extremamente nervosa. Só percebi ali o quanto queria que desse certo. Por conta disso, não me saí tão bem quanto gostaria e fui embora apreensiva. A espera do resultado foi longa e deu tempo de sentir muita coisa. Fiquei confiante, fiquei com medo, fiquei indiferente e fiquei desesperada. No dia do resultado, tinha certeza de que não tinha passado, por isso ler na tela o “Parabéns! Você foi aprovado para a próxima etapa!” foi um baita de um choque. Foi um choque também ver que meu irmão e alguns amigos que eu tinha certeza que passariam estavam de stand-by. Em compensação, foi uma alegria ver que minha prima tinha passado também e eu não estaria lá sozinha.

Era isso, o sonho estava cada vez mais perto. A segunda fase seria em outra cidade com os entrevistadores americanos no próprio escritório da Disney. No dia 16 de agosto, um dia depois do meu aniversário, eu e minha prima estávamos indo pra São Paulo em busca da concretização desse sonho. Eu sabia que só dependia de mim e que não poderia deixar que o nervosismo atrapalhasse como da primeira vez. No aeroporto de Brasília, prestes a embarcar, deixei meu celular cair e ele quebrou a tela. Na hora eu obviamente fiquei muito triste e acreditei ser um baita azar. Agora, olhando pra trás (e com a tela já consertada), percebo que isso foi fundamental para o meu desempenho na entrevista. Eu não tive contato com ninguém que estava participando do processo além da minha prima, então não fiquei lendo sobre o comportamento de ninguém e nem perguntas feitas aos outros participantes.

A entrevista foi super tranquila. Se eu estava nervosa? Claro! Se não estivesse não seria eu. Mas a Jenny, a moça que me entrevistou, foi extremamente simpática e a conversa fluiu de maneira natural. Acredito que consegui deixar claro que a Disney era uma paixão minha e que o programa seria um sonho, ainda que uma experiência profissional. No final escutei dela um “você fez um ótimo trabalho” e saí de lá confiante de que estaria embarcando para Orlando no fim do ano para ser uma Cast Member.

A espera do resultado dessa vez não foi tão longa, mas foi tempo suficiente para me deixar muito apreensiva. Dessa vez, porém, estava confiante. E deu certo: o tão esperado e-mail de congratulations chegou e estava ali a confirmação do sonho. Sim, eu vou trabalhar na Disney.

Eu. Vou. Trabalhar. Na. Disney.

Estou escrevendo esse texto pouco mais de um mês depois desse e-mail ter chegado. A ansiedade não mudou desde esse dia, pelo contrário, só aumentou. Tenho lido, assistido e pesquisado tudo sobre o ICP, os parques e tudo do universo Disney e por isso está difícil pensar em algo que não seja os dias que viverei por lá.

Hoje, a exatos 50 dias do começo do programa, recebi a informação de que meu local de trabalho será o parque Hollywood Studios. Lembra quando eu disse que era meu parque preferido? Pois é. E adivinha o que eu vou fazer lá? Vou ser Custodial, ou seja, vou limpar o parque. Sim, exatamente o que eu tinha dito que poderia fazer sem o menor problema desde que estivesse na Disney.

Euzinha nas três vezes em que estive no Hollywood Studios

A cada dia que passa a ficha cai um pouquinho mais, mas ainda parece um sonho. Tento tomar cuidado pra não me deslumbrar demais e criar expectativas altas, porque, como eu disse, a chance de se decepcionar é grande. Eu não posso esquecer de que se trata de um intercâmbio de trabalho e eu não estarei lá a passeio. Já li relatos de muitos outros participantes e não tenho nenhuma garantia de que vai ser tudo mil maravilhas, afinal, terei que lidar com pessoas e pessoas são imprevisíveis. De qualquer forma, ter a oportunidade de trabalhar na maior empresa de entretenimento do mundo, convivendo e interagindo com pessoas de todos os cantos do planeta, é algo que me deixa muito grata e feliz.

Visitar a Disney foi um sonho muito incrível, mas acredito que trabalhar lá vai ser ainda mais. Poderei fazer parte de uma empresa que realmente busca o melhor para seus clientes e que faz com que a experiência deles com seus produtos seja a melhor que já tiveram. Eu terei a oportunidade de fazer com que as pessoas que estão ali se sintam tão especiais quanto eu me senti. Eu vou fazer parte da mágica.

O e-mail de congratulations que eu recebi não é só a confirmação do meu intercâmbio. Foi um lembrete para ter confiança em mim mesma. Foi a confirmação do que estava escrito na minha pulseira, lá naquele dia no Hollywood Studios. Nada é impossível se você acreditar.

Tô voltando, Disney!

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2 comentários sobre “Eu vou trabalhar na Disney!

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